O acordo entre a União Europeia e o Mercosul enfrenta mais um obstáculo. O Parlamento Europeu decidiu levar o tema ao Tribunal de Justiça do bloco, movimento que pode atrasar a decisão final em até dois anos. Enquanto isso, agricultores — principalmente na França e em outros países europeus — seguem protestando contra o pacto, alegando risco de prejuízos ao setor agrícola local. Apesar da pressão, o primeiro-ministro alemão Frederich Merz saiu em defesa do acordo, classificando-o como “justo e equilibrado” e defendendo sua entrada em vigor de forma provisória.
Em entrevista ao programa Mercado, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, afirma que o impasse revela uma dificuldade estrutural da Europa em avançar nesse tipo de negociação. Segundo ele, os europeus tendem a proteger seus produtores com subsídios, e qualquer acordo que ameace esse modelo gera reação imediata nas ruas. William lembra que o próprio presidente francês Emmanuel Macron enfrentou forte perda de governabilidade ao tentar mexer em temas sensíveis como previdência, o que mostra a força da mobilização social e dos interesses internos no continente.
Na avaliação do estrategista, esse cenário torna o avanço do acordo com o Mercosul ainda mais difícil, apesar de ser uma oportunidade perdida para ambos os lados. Ele destaca que, diante desse travamento, ganha força a lógica de negociações bilaterais, linha defendida pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump. Para o Brasil, a estratégia deve ser pragmática: continuar negociando país a país. Se o acordo sair, ótimo; se não, o comércio segue por outros caminhos.