Não é só o Banco Central quem investigava as fraudes do empresário Daniel Vorcaro e de seus grupos financeiros. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apesar de não atuar como órgão fiscalizador, ganhou em 2008 a autonomia para escrever relatórios e análises de suas associadas a serem submetidas periodicamente ao BC. Em meados de abril de 2024, o executivo Daniel Lima, que preside o FGC desde 2019, já fazia alertas quando questionado sobre a oferta de títulos de renda fixa muito atrativos aos investidores. “Agora a gente pensa em como coibir os excessos de determinadas instituições financeiras que possuem uma dependência quase que exclusiva de captações cobertas pelo FGC”, revelou em entrevista ao programa VEJA S/A à época.
Lima ainda atua no conselho de outras entidades e associações financeiras, como a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O atual responsável pelo FGC ressaltou que o sistema financeiro do Brasil é muito mais robusto e seguro do que 10 anos atrás, mas que a quebra de qualquer banco tem efeitos colaterais em toda a sociedade. “O que a gente puder fazer para salvar bancos viáveis, nós vamos fazer. Por outro lado, existem os casos de bancos que cometeram fraudes no passado, e fica muito difícil ajudar esses bancos. Não faz sentido gastar dinheiro bom atrás de dinheiro ruim”, completou.