Agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, detiveram um menino de cinco anos enquanto voltava da escola — a quarta criança presa em operações em Minnesota, estado americano em estado de ebulição devido às políticas migratórias da administração de Donald Trump. O episódio aconteceu na terça-feira 20 no subúrbio de Columbia Heights. Segundo autoridades escolares, o pai do menino também foi capturado, e ambos estão em um centro de detenção no Texas.
Liam Conejo Ramos retornava para casa após um dia letivo junto de seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias, quando foram interceptados pela polícia imigratória na frente de sua residência. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), Adrian teria fugido a pé enquanto Liam permaneceu sob posse dos agentes. Os policiais teriam pedido que o garoto batesse na porta de casa para ver se havia outras pessoas no local, “usando uma criança de 5 anos como isca”, de acordo com o distrito escolar.
Na quarta-feira 21, autoridades escolares de Columbia Heights concederam uma coletiva de imprensa sobre o tema. “Por que deter uma criança de cinco anos? Você não pode me dizer que essa criança será classificada como criminosa violenta”, disse a superintendente do distrito, Zena Stenvik. Ela disse ter dirigido até o local quando soube da detenção, onde encontrou pai e filho sob guarda do ICE e o carro da família ainda ligado.
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Stenvik afirmou que um vizinho estava presente durante a apreensão e pediu para cuidar de Liam, de modo a evitar que o jovem fosse levado a um centro de detenção. No entanto, os agentes negaram o pedido. Cerca de 20 minutos após o ICE levar pai e filho, o irmão mais velho da criança chegou ao local e encontrou sua família desaparecida. Dois diretores escolares do distrito foram até a residência dos Conejo para oferecer apoio ao jovem, um estudante do ensino fundamental.
De acordo com o advogado da família, Marc Prokosch, Liam e Adrian estão sob custódia do DHS em San Antonio, na região central do Texas. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele apresentou documentos mostrando que pai e filho chegaram aos Estados Unidos de forma regular. “A família fez tudo o que deveria de acordo com as regras estabelecidas. Eles não vieram aqui ilegalmente e não são criminosos”, disse, acrescentando que seguiram “perfeitamente o processo legal, desde a apresentação na fronteira até o pedido de asilo”. Segundo o advogado, não houve ainda ordem de deportação contra os dois.
A secretária assistente do DHS, Tricia McLaughlin, justificou a operação na quarta, afirmando que o ICE conduzia uma “operação direcionada” para prender o pai de Liam, a quem chamou de um imigrante ilegal. “O alvo do ICE não era uma criança”, disse McLaughlin, afirmando que Adrian abandonou o filho e que um dos agentes permaneceu com o jovem até a prisão do pai “para a segurança da criança”.
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Menores detidos
Esse foi o mais recente episódio de detenção de menores por agentes do ICE em Columbia Heights. Pelo menos quatro estudantes foram apreendidos desde o início de 2026, segundo autoridades locais. Na mesma terça-feira em que ocorreu o incidente envolvendo Liam, um jovem de 17 anos foi levado por “agentes armados e mascarados” sem a presença dos pais. Uma semana antes, uma menina da mesma faixa etária teve o apartamento “invadido” pelo ICE, sendo presa junto da mãe.
Anteriormente, no dia 6 de janeiro, uma garota de 10 anos ligou para o pai informando que agentes do ICE iriam levá-la até a escola. Quando o homem chegou ao local em busca da filha, descobriu que ela havia sido detida com sua mãe, e ambas foram encaminhadas a um centro do ICE no Texas.
O cenário intensificou as tensões em Minnesota, onde a fiscalização imigratória da administração Trump aumentou nas últimas semanas. Moradores demonstram animosidade crescente em relação aos agentes, alimentada em muito pelo assassinato de Renée Nicole Good, de 37 anos, por um membro do ICE em 7 de janeiro. A Casa Branca afirma que a presença dos policiais de imigração na região é necessária para capturar “imigrantes condenados por crimes violentos”.