Conta-se em Brasília que recentemente Lula recebeu um líder da oposição para um café. A certa altura, perguntou: “Você pode me fazer um favor?” O convidado se mostrou prestativo, e ele emendou: “Se encontrar o Flavio Bolsonaro peça para ele não desistir da candidatura.”
Lula segue favorito nas pesquisas sobre a eleição presidencial de outubro, com média de 45% das intenções de voto. Moídos nas próprias contradições, os adversários aparecem com chances limitadas.

Quatro em cada dez eleitores acham que a oposição só vai se tornar realmente competitiva contra Lula, se e quando lançar um candidato que não seja da família Bolsonaro. É o que mostra pesquisa Quaest com 2.004 entrevistas realizadas entre os dias 8 e 11 em 120 municípios.
A alternativa, alguém que não pertença ao clã Bolsonaro, tende a deixar a eleição “mais equilibrada”. É o que sugerem 43% dos eleitores — aumento de sete pontos percentuais em relação contingente que fazia essa mesma avaliação em dezembro, quando Jair Bolsonaro começou a cumprir a pena de 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de estado.
A liderança de Lula está consolidada. Porém, indicam diferentes pesquisas, há mais de um ano se mantém estacionado na preferência eleitoral (no patamar de 40% a 45%), com quase dois terços dizendo que ele não deveria se candidatar ao quarto mandato presidencial, aos 81 anos de idade.

Chama a atenção a alta taxa de rejeição (em torno de 50%) de Lula e de Flavio Bolsonaro, virtual candidato do Partido Liberal. Empatam com Jair Bolsonaro, expulso do jogo eleitoral até 2060 por condenação judicial.
O eleitorado parece muito insatisfeito. Pesquisadores do consórcio AtlasIntel/Bloomberg apresentaram uma lista com 13 de políticos conhecidos, possíveis candidatos à presidência em outubro, e perguntaram: “Em deles você não votaria de jeito nenhum?” O resultado apurado entre a quinta-feira (15/1) e a última terça (20/1) mostra que 11 dos 13 nomes listados foram rejeitados por 40% ou mais dos 5.418 eleitores consultados. Outros dois ficaram com rejeição acima de 37%.