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Quando a quadra vira passarela: Naomi Osaka transforma jogo de tênis em desfile de alta-costura

Antes mesmo de o primeiro saque cortar o ar de Melbourne, Naomi Osaka já havia vencido outra disputa — silenciosa, visual e inevitavelmente simbólica. Ao cruzar a Rod Laver Arena para sua estreia no Australian Open, a tenista japonesa transformou o ritual de entrada em um manifesto fashion – o vestido verde-azulado com inspiração atlética, combinado a calças plissadas brancas, chapéu de aba larga com véu e uma delicada sombrinha, parecia flutuar atrás dela como um organismo vivo. A referência à água-viva — revelada depois — fazia sentido: leve, hipnótica, impossível de ignorar.

O look, desenvolvido pela Nike em colaboração com o estilista de alta-costura Robert Wun, foi pensado para existir por instantes. Antes do jogo começar, Osaka retirou os acessórios, venceu a partida e seguiu adiante. Mas a imagem já estava gravada.

Segundo uma entrevista publicada pelo The New York Times, o impacto daquele momento extrapolou o placar. Críticos de moda e estilo debateram se a escolha era inspiração ou distração, performance estética ou excesso calculado. Havia quem enxergasse ecos de Gatsby, flappers dos anos 1920 e até um ar quase nupcial no véu longo. Outros viram solenidade demais para alguém cuja relação com a moda sempre flertou com o lúdico. Ainda assim, todos concordaram em um ponto: a entrada de Osaka não passou despercebida — e isso, em tempos de telas pequenas, é um feito.

Diferentemente de Serena Williams ou Maria Sharapova, que fizeram história com silhuetas e provocações dentro da quadra, Osaka desvia o foco. Sua declaração acontece no trajeto, no “tunnel walk” elevado agora à escala de um tapete vermelho. É a lógica do nosso tempo: a roupa não acompanha o acontecimento, se torna o próprio. E, nesse jogo, a fronteira entre atleta e ícone fshion se torna cada vez mais tênue.

A parceria com Robert Wun, nome recorrente nos figurinos de Lady Gaga e Beyoncé, também sinaliza uma virada. Se nos últimos anos o diálogo entre moda e esporte se concentrou no prêt-à-porter, agora a alta-costura parece reivindicar espaço. Não para correr, sacar ou suar, mas para criar o momento que antecede tudo isso — aquele segundo em que o mundo olha.

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Resta saber se o gesto de Osaka inaugura um novo capítulo ou permanece como exceção elegante. A dúvida, aliás, é parte do charme. Como escreveu Coco Chanel, “a moda passa, o estilo permanece”. Naquela manhã, Naomi Osaka mostrou que estilo, hoje, pode começar antes mesmo de o jogo começar e revernerar muito depois do match point.

Desfile Robert Wun Haute Couture Fall/Winter 2024-2025: mesmo estilista de Beyoncé e Lady Gaga
Desfile Robert Wun Haute Couture Fall/Winter 2024-2025: mesmo estilista de Beyoncé e Lady GagaKay-Paris Fernandes/Getty Images
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