A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), falou sobre o pedido de impeachment protocolado contra ela no início desta semana após ser constatada a não fiscalização por parte de sua gestão à empresa de ônibus intermunicipais de sua família, que apresentava uma série de irregularidades. Sem citar o pedido e nem o nome de ninguém, ela deu a entender que acredita que ação seja um ato eleitoral, visando sua difamação.
“Não se mexe com a honra de pessoas honradas (…). Nós todos estamos sujeitos a muita coisa nessa vida, nessa época de fake news. Na política isso é até comum, embora não seja normal, as pessoas brincarem com a biografia dos outros: [mas] com a minha não! (…). Talvez seja mais fácil querer bater numa mulher, mas eles não conhecem a nossa força. Talvez seja mais fácil tentar colocar empecilho, imputar algum tipo de responsabilidade que ela não tem, questionar sobre formas e jeitos”, comentou Raquel durante um evento da Amupe, a associação dos prefeitos de Pernambuco, em Gravatá, no agreste do estado, nesta terça-feira, 20.
O pedido de impeachment da governadora foi feito pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União), que é aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), o principal oponente eleitoral de Lyra para outubro de 2026 — e que lidera as pesquisas para o governo do estado. Além disso, o pedido foi aceito pelo presidente em exercício da Assembleia Legislativa, Rodrigo Farias, que é do partido de Campos.
Apesar de comentar o assunto, Raquel Lyra não falou sobre a acusação de crime de responsabilidade imputada a ela pela não fiscalização da empresa de sua família. Ela ainda aproveitou o momento para se aprofundar sobre as eleições, dizendo que incomoda os opositores por ter promovido muitas mudanças no estado.
“Nunca foi pelo cargo, nunca foi pela próxima eleição, eu estou aqui para fazer mudança e transformação, e isso inquieta muita gente que queria que as coisas continuassem como estavam, mas não dava: Pernambuco caiu, perdeu posição, perdeu espaço, perdeu emprego, estradas estavam sucateadas, hospitais foram sucateados, as escolas também. A gente veio fazer mudança, e isso incomoda para caramba. Não é um projeto pessoal de poder. Não é o poder a qualquer custo, em cima de todo mundo”, declarou.
E ainda, admitindo a possibilidade de derrota eleitoral em outubro, já que segue atrás nas pesquisas, disse que continuará trabalhando pelo desenvolvimento do estado. “Se for bom para o povo de Pernambuco, é bom para mim. Ele ele me quiser aqui, eu estou aqui, e se não quiser mais será a democracia. Mas a gente tem que jogar dentro das quatro linhas [da Constituição Federal]. Eleição é eleição: nós não estamos em período eleitoral”.
O pedido de Impeachment contra Raquel foi protocolado quase vinte dias após uma solicitação semelhante ser feita contra João Campos na Câmara de Vereadores do Recife, por causa de um escândalo referente a uma nomeação apontada como irregular para um cargo público de salário elevado.