Uma música que ironiza sobre a situação de Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela, tem viralizado nas redes sociais. A canção, feita por inteligência artificial, questiona onde estão os aliados de Maduro — e por que não saíram em seu auxílio após a operação dos Estados Unidos em Caracas em 3 de janeiro. O ritmo, contudo, é familiar: imita jingles usados pelo regime chavista, então acompanhados por passos de dança de Maduro — um movimento que irritou o presidente Donald Trump e acelerou a intervenção.
“Onde está a China? Onde está a Rússia? Por que não agiram? Qual é a desculpa?”, questiona Miguel Alejandro Herrera, criador do vídeo, dublando a música em espanhol. “Maduro está numa prisão federal, e agora eu me pergunto: onde estão os comunistas que iam ajudá-lo?”
Em entrevista ao jornal americano The News York Times, publicada nesta quarta-feira, 21, Herrera contou que a música é uma celebração da queda de Maduro e uma crítica aos países que o apoiavam. Desde que foi publicado em 8 de janeiro, o vídeo já alcançou mais de 11 milhões de visualizações no TikTok e cinco milhões no Instagram, com milhares de comentários que comemoravam a captura de Maduro. Ele e sua esposa, Cilia Flores, foram levados presos pelos EUA e responderão a acusações de “narcoterrorismo” em um tribunal em Nova York.
Antes de ser capturado, Maduro foi visto cantando e dançando em comícios. Em um dos episódios, soltou a voz na canção Don’t Worry, Be Happy (“Não se preocupe, seja feliz”, em tradução livre), de Bobby McFerrin. Na mesma ocasião, ordenou que a população se preparasse para “quebrar os dentes” dos Estados Unidos. Antes disso, em novembro, Maduro cantou o hino pacifista Imagine, de John Lennon, e apelou para “paz e diálogo”.
“Agora isso mudou”, opinou Herrera, produtor musical e comentarista digital, ao NYT. “Agora, a música da oposição é melhor.”
A repercussão da canção contrasta com a versão do governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que alega que multidões foram às ruas para instar a libertação de Maduro e se opor à interferência americana. Há relatos, inclusive, do aumento da repressão com a mudança de governo. Nas redes sociais, no entanto, o vídeo de Herrera continua a fazer sucesso, e dá voz a milhares e milhares de venezuelanos que fugiram da sua terra natal devido à crise econômica e às violações dos direitos humanos pelo regime Maduro.
“Eu digo o que as pessoas dentro da Venezuela não podem dizer”, disse ele. “Muitas pessoas me escrevem dizendo que guardaram a música para quando puderem tocá-la em alto volume nas ruas.”