Já em ritmo de pré-campanha, a deputada federal Benedita da Silva (PT) visitou a Comunidade Vida Renovada, um projeto social de acolhimento e reinserção social de pessoas em situação de dependência química no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A agenda foi compartilhada nesta terça-feira, 20, em seu perfil nas redes sociais. A iniciativa é conduzida pelo pastor Marcos Pereira, líder da Assembleia de Deus dos ÚItimos Dias, sediada na cidade. Pré-candidata ao Senado, Benedita é evangélica e tem bom trânsito nesse eleitorado, que representa uma fatia importante de votos no estado do Rio.
Filiada ao PT desde a década de 1980, Benedita é um quadro histórico do partido no Rio e é até hoje a única representante da legenda a chefiar o governo do estado. Ela foi governadora por nove meses em 2002, quando assumiu o Palácio Guanabara com a saída de Anthony Garotinho, de quem era vice. Na ocasião, tornou-se ainda a primeira mulher a ocupar esse cargo. Parlamentar da Câmara Federal desde 2011, ela agora busca retomar uma vaga no Senado, onde já legislou no fim da década de 1990.
As articulações por seu candidatura, contudo, não foram simples. Apesar de Benedita ter a bênção do presidente Lula (PT) e de uma ala de seu partido no Rio, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), cujo grupo comanda o PT fluminense, tentava emplacar outro nome: o do sambista Neguinho da Beija-Flor. Como a aposta de Quaquá não avançou, fez-se uma unanimidade em torno do nome da deputada, que agora tenta reunir forças para conquistar uma das duas vagas ao Senado.
O momento é de angariar apoios. Em conversa recente com o prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), Lula teria pedido apoio para Benedita em uma provável composição na chapa do alcaide, que será candidato a governador. A petista deverá ter ainda o apoio do PSOL, que decidiu não lançar um nome próprio em uma sinalização à deputada federal. Resta ainda uma definição por parte do PSB, que cogita apontar o ex-parlamentar Alessandro Molon para a disputa, dado seu bom desempenho nas urnas há quatro anos.
Para as eleições de 2026, cada estado vai eleger os dois senadores mais votados. Nos últimos pleitos, contudo, todos os políticos escolhidos para a Casa no Rio tinham perfil mais à direita, casos de Flávio Bolsonaro (PL) e Romário (PL), ou ligados ao eleitorado evangélico, como Arolde de Oliveira — que morreu em 2020 e deu lugar ao suplente Carlos Portinho (PL) — e Marcelo Crivella. O último a romper essa barreira foi o agora deputado federal Lindbergh Farias (PT), senador entre 2011 e 2018.
Não à toa, Benedita, convertida ao evangelismo na Assmebleia de Deus no fim da década de 1960, tenta reafirmar seu perfil religioso também como uma maneira de atrair esse eleitorado, que no geral demonstrou nos últimos pleitos maior rejeição a candidatos de esquerda.
Na visita à Assembleia de Deus dos Últimos Dias, a deputada conversou com as pessoas atendidas pelo projeto ao lado do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. “É muito importante o trabalho de ressocialização e recuperação que a Comunidade Vida Renovada faz aqui em São João de Meriti”, publicou. Nos comentários de seu post, recebeu os cumprimentos do pastor líder da denominação, Marcos Pereira. “Deus abençoe minha deputada amiga!!”, escreveu.