Com o envelhecimento, ganhar força ou mesmo manter o condicionamento físico se torna uma tarefa cada vez mais difícil. Pensando nisso, um estudo sueco decidiu investigar em qual momento da vida esse declínio, conhecido como sarcopenia, realmente começa — afinal, ela costuma ser associada apenas à velhice.
A pesquisa faz parte do Swedish Physical Activity and Fitness Study (SPAF), um dos estudos mais longos já realizados sobre capacidade física. Ao todo, 427 pessoas, sendo 222 homens e 205 mulheres, foram avaliadas ao longo de 47 anos, em cinco momentos da vida, aos 16, 27, 34, 52 e 63 anos.
Em cada uma das cinco avaliações presenciais, os participantes passaram por uma bateria padronizada de testes, que avaliou três domínios da capacidade física: o primeiro foi a capacidade aeróbica, definida como a aptidão do organismo para produzir energia de forma sustentada, utilizando oxigênio, durante atividades prolongadas. O segundo foi a resistência muscular, entendida como a capacidade do músculo de executar movimentos repetidos ao longo do tempo, resistindo à fadiga. Já o terceiro domínio foi a potência muscular, que corresponde à capacidade do músculo de produzir força rapidamente — ou seja, força versus velocidade.
Esses domínios foram avaliados da seguinte forma:
- Capacidade aeróbica, estimada por pedaladas em cicloergômetro e, na adolescência, por um teste de corrida de nove minutos
- Resistência muscular, medida pelo número máximo de repetições no teste de supino
- Potência muscular, avaliada por meio do teste de salto vertical
Além das avaliações físicas, os pesquisadores coletaram informações sobre escolaridade e relatos de prática de atividade física no dia a dia, obtidos por meio de questionários simples, com respostas categóricas (como “sim” ou “não”).
Quando ocorre o pico e quando começa a queda
Os resultados mostram que, tanto em homens quanto em mulheres, a maior parte das variáveis de desempenho físico atinge seu pico ainda na vida adulta.
Entre os homens:
- A capacidade aeróbica atinge o valor mais alto por volta dos 35–36 anos
- A resistência muscular também alcança seu melhor desempenho em torno dos 36 anos
- Já a potência muscular, relacionada à força explosiva, atinge o pico por volta dos 27 anos
Após esse período, o declínio aparece de forma progressiva. Inicialmente, a perda é discreta — algo entre 0,3% e 0,6% ao ano —, mas a partir da meia-idade esse ritmo acelera e pode ultrapassar 2% ao ano. Aos 63 anos, a maior parte dos homens havia perdido entre 30% e 41% da capacidade física máxima – especialmente aqueles com estilo de vida sedentário.
Nas mulheres, o processo é semelhante, mas com algumas diferenças na idade do pico e na magnitude das perdas:
- A capacidade aeróbica máxima atinge o pico por volta dos 36 anos, praticamente no mesmo período observado nos homens
- A resistência muscular apresenta pico aos 34 anos
- Já a potência muscular atinge seu pico mais cedo que nos homens, por volta dos 19 anos
Após o pico, a perda também é progressiva e se acelera com o envelhecimento. Até os 63 anos, as mulheres apresentaram redução de cerca de 30% na capacidade aeróbica absoluta, 37% na capacidade aeróbica relativa, 32% na resistência muscular e 48% na potência muscular. Vale lembrar que, para elas, a meia-idade é marcada por mudanças hormonais como a menopausa, período marcado pela queda do estrogênio e da potência muscular.
Se manter ativo: o melhor jeito de driblar
Um dos achados mais curiosos do estudo é como o desempenho físico vai se tornando mais diverso entre as pessoas com a idade. Aos 16 anos, os participantes eram relativamente parecidos em força e resistência. Já aos 63, alguns ainda se mantinham muito ativos, enquanto outros apresentavam perdas consideráveis.
A capacidade aeróbica, por exemplo, se espalhou tanto que a diferença entre os mais fortes e os mais fracos ficou 25 vezes maior do que na adolescência. Outro ponto interessante é que atletas de elite também atingem o auge por volta dos 35 anos. Ou seja, o declínio deles acompanha o da população geral. Mas, aos 63 anos, eles ainda mantinham mais de 80% da capacidade máxima de resistência, bem acima da média do grupo.
Segundo os autores, isso mostra que o jeito como cada pessoa envelhece fisicamente depende de fatores ao longo da vida, como hábitos, estilo de vida e até questões biológicas.
Em outras palavras, atingir o pico da capacidade física na casa dos 30 não significa que tudo vá desandar depois. Mas os dados reforçam que a sarcopenia não surge de repente quando ficamos mais lentos ou cansados, mas se constrói aos poucos ao longo do tempo. Por isso, se manter ativo é uma das melhores formas de preservar força e mobilidade.
“Nosso estudo mostra que a atividade física pode desacelerar o declínio do desempenho, mesmo que não seja possível impedi-lo completamente”, disse a autora principal, Maria Westerstahl, à revista Men’s Health. “Agora vamos investigar os mecanismos que explicam por que todos atingem o pico por volta dos 35 anos”.