Pesquisadores identificaram pinturas rupestres com pelo menos 67.800 anos em cavernas na Indonésia. As imagens, formadas principalmente por estênceis de mãos, podem representar a arte rupestre mais antiga já descoberta e reforçam a hipótese de que os primeiros humanos modernos seguiram uma rota marítima pelo norte do arquipélago indonésio ao migrar em direção ao antigo continente de Sahul, que unia a Austrália à Nova Guiné.
O estudo, publicado revista Nature, indica que essas pinturas antecedem em cerca de 1.100 anos os registros mais antigos conhecidos até agora, ampliando o entendimento sobre a antiguidade das primeiras expressões artísticas humanas.

Onde essas pinturas foram encontradas?
As pinturas foram localizadas em cavernas de calcário no sudeste de Sulawesi, uma região que permaneceu pouco explorada do ponto de vista arqueológico. Embora a presença de arte rupestre na área seja conhecida desde a década de 1970, faltavam análises detalhadas que permitissem estabelecer a idade dessas imagens com precisão.
Ao todo, os pesquisadores mapearam 44 sítios arqueológicos, incluindo 14 cavernas até então desconhecidas. Em alguns desses locais, os registros indicam que a produção artística ocorreu em diferentes períodos, separados por dezenas de milhares de anos, o que sugere uma tradição cultural de longa duração.
Para datar as pinturas, a equipe analisou depósitos microscópicos de carbonato de cálcio formados ao longo do tempo sobre e sob os desenhos. Esses depósitos foram examinados por meio de uma técnica de alta precisão conhecida como datação por séries de urânio, que permite estimar a idade mínima das pinturas.

O que esses achados revelam sobre os primeiros humanos?
Segundo os autores, a presença de arte tão antiga em Sulawesi fortalece a hipótese de que grupos humanos passaram pela região durante a migração da Ásia continental em direção a Sahul. Essa rota, conhecida como corredor norte, envolve travessias marítimas entre ilhas do atual arquipélago indonésio.
As novas evidências apoiam a chamada “cronologia longa” da ocupação humana da Austrália, que propõe a chegada de humanos modernos ao continente há pelo menos 65 mil anos; antes do que sugeriam algumas estimativas anteriores.
A arte rupestre fornece indícios diretos da presença humana em períodos muito antigos. Diferentemente de ferramentas ou ossos, as pinturas indicam capacidade simbólica, comunicação visual e práticas culturais complexas.
Além dos estênceis de mãos, o estudo identificou outras figuras pintadas, incluindo uma representação humana mais recente, datada de cerca de 3.900 anos, que pode estar associada à expansão de populações austronésias pela região.