O discurso da presidente da Ursula von der Leyen, em Davos, defendendo uma “nova Europa independente”, foi interpretado pelos mercados menos como retórica política e mais como um sinal econômico e geopolítico. Segundo a Paula Zogbi, estrategista-chefe e head de conteúdo da Nomad, a fala dialoga com um ambiente de incerteza global crescente, no qual a Europa tenta se posicionar melhor diante de choques comerciais, especialmente em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos.
Paula contrapõe esse movimento europeu às declarações do Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou Donald Trump por “governar o mundo pelas redes sociais”. Embora ambos falem em independência, ela avalia que a motivação é distinta: enquanto a Europa busca resiliência econômica e diversificação das cadeias de suprimento, provocações diretas a Trump podem trazer efeitos colaterais para países que sequer estavam no centro das discussões. “Entrar novamente no radar do Trump pode gerar consequências negativas”, alerta.
A estrategista lembra que “Trump gosta de receber respostas mais duras, e ele recua muitas vezes”, mas nesse momento ela diz que o Brasil deveria se manter fora das discussões nesse momento. “A gente entrar no radar novamente pode trazer consequências negativas”, alerta.