Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados na última segunda-feira, 21, pelo Inep, mostraram que 30% dos cursos de medicina oferecidos no país têm avaliação ruim. Ao todo, 107 cursos de medicina tiveram conceitos 1 ou 2, as avaliações mais baixas e consideradas insatisfatórios pelo Ministério da Educação. Ainda assim, para se matricular na maior parte dessas universidades, é preciso desembolsar mensalidades caras, em torno dos R$ 8,7 mil, mesmo nas faculdades que oferecem cursos com as piores avaliações.
Levantamento feito por VEJA mostra que dentre os 24 cursos que tiveram conceito 1, o pior possível no Enamed , as mensalidades variam entre R$ 6 mil e R$ 13,8 mil. Tais valores variam conforme os locais em que as faculdades estão sediadas e também de acordo com o período — ou seja, podem aumentar nos semestres em que o aluno se aproxima da conclusão.
Os mais caros da lista, segundo os dados disponíveis para consulta, são da Faculdade São Leopoldo Mandic Araras, no interior paulista, com mensalidade de R$ 13,8 mil; do campus de Angra dos Reis da Universidade Estácio de Sá, com valores que giram em torno de R$ 13,6 mil; e do Centro Universitário Uninorte, em Rio Branco, no Acre, com vencimentos mensais ao custo de R$ 12,4 mil.
Já as mensalidades de menor valor estão nos campus de Goianésia e Formosa, em Goiás, da Fundação do Ensino Superior de Rio Verde e custam em torno de R$ 6 mil. A Universidade Nilton Lins, em Manaus, oferece o curso de Medicina com valores iniciais de R$ 7,1 mil mensais, similar ao cenário visto no campus de Goiatuba da Unicerrado. Na Faculdade de Dracena, o valor também fica próximo, com mensalidades iniciais de R$ 7,3 mil.
Há ainda duas universidades públicas na lista das piores avaliadas: o campus de Altamira da Universidade Federal do Pará, além da Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, em Mogi Guaçu. Ambas, naturalmente, são gratuitas.
Confira a lista de universidades que tiveram seus cursos de medicina avaliados com conceito 1 e, ao lado, valores de suas mensalidades iniciais:
- Estácio de Sá (Angra dos Reis) – R$ 13,6 mil
- Unipac (Juiz de Fora) – R$ 10,4 mil
- Universidade Brasil (Fernandópolis) – R$ 8,9 mil
- Universidade do Contestado (Mafra) – R$ 9,9 mil
- Universidade de Mogi das Cruzes – R$ 8,2 mil
- Universidade Federal do Pará (Altamira) – Gratuita
- Universidade Nilton Lins (Manaus) – R$ 7,1 mil
- Unicerrado (Goiatuba) – R$ 7 mil
- Unilago (São José do Rio Preto) – R$ 7,9 mil
- Centro Universitário de Adamantina (Adamantina) – R$ 9,1 mil
- Centro Universitário das Américas (São Paulo) – R$ 11,5 mil
- Faculdade de Dracena (Dracena) – R$ 7,3 mil
- Unifan (Aparecida de Goiânia) – R$ 10 mil
- Faseh (Vespasiano) – R$ 12,4 mil
- FMPFM (Mogi Guaçu) – Gratuita
- Faculdade Metropolitana (Porto Velho) – R$ 6,1 mil
- Centro Universitário Uninorte (Rio Branco) – R$ 12,4 mil
- CEUNI-Fametro (Manaus) – R$ 8 mil
- Unipantanal (Cáceres) – R$ 11 mil
- Fesurv (Goianésia) – R$ 6 mil
- Fesurv (Formosa) – R$ 6 mil
- SLMandic (Araras) – R$ 13,8 mil
- Estácio Jaraguá (Jaraguá do Sul) – R$ 11 mil
- Faculdade Zarns (Itumbiara) – R$ 11 mil
No total, 351 cursos em todo o Brasil foram avaliados. Ou seja, quase um terço teve avaliação ruim, sob os critérios do Inep. A prova, realizada anualmente, é aplicada junto aos estudantes — sejam concluintes ou em momentos anteriores da formação — para medir seu desempenho e, portanto, a qualidade do ensino das faculdades.
Dentre os 107 cursos com avaliação insatisfatória, os 24 que tiveram o conceito 1 terão as restrições mais severas. Oito delas, inclusive, não poderão receber novos alunos de medicina e serão suspensas de programas federais como o Fies e o ProUni. Há ainda restrições mais brandas, como a redução no número de cursos e de vagas, a depender dos casos. Outros 83 cursos foram avaliados com o conceito 2. A régua de avaliação vai do 1 ao 5 e quanto maior o conceito, melhor.
Segundo o Inep, a prova teve a participação de 89 mil alunos. Desse grupo, 39 mil são concluintes, aqueles que estão prestes a completar sua formação para ingressar no mercado de trabalho.
Na divisão por tipo de instituição, 87% das faculdades de medicina públicas municipais se concentraram nos conceitos mais baixos. Em seguida, aparecem as instituições privadas com fins lucrativos: 58% delas também estiveram entre os conceitos 1 e 2. A maior parte das universidades públicas federais, 87%, por outro lado, estiveram entre os conceitos 4 e 5, cenário similar ao das universidades públicas estaduais, em que esse percentual foi de 84,7%.