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Crise da Groenlândia só será resolvida com ‘diplomacia ponderada’, diz chefe da Otan

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou que a “diplomacia ponderada” é a única forma de lidar com as disputas em torno da Groenlândia. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 21, durante um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Os comentários são uma tentativa de amenizar o clima tenso gerado pela crescente ambição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em direção ao território autônomo ligado à Dinamarca.

“Vejo que existem tensões no momento, sem dúvida. Novamente, não vou comentar sobre isso, mas posso garantir que a única maneira de lidar com isso é, no fim das contas, por meio de uma diplomacia ponderada”, afirmou Rutte.

Rutte buscou apaziguar as declarações agressivas de Trump, apontando que há razão em buscar a defesa da Groenlândia contra a influência da Rússia e da China, mas que a Otan deve ser o instrumento para isso.

“No que diz respeito ao Ártico, acho que o presidente Trump está certo. Outros líderes da Otan também estão certos. Precisamos defender o Ártico”, disse.

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O líder da aliança militar também se disse receoso com a possibilidade de a discussão em torno da ilha ártica desviar o foco da Guerra da Ucrânia, que definiu como “a questão principal”.

“Eu estou realmente preocupado com a possibilidade de que percamos de vista (a guerra), em um momento no qual a Ucrânia não tem mísseis de interceptação suficientes para se defender”, disse.

Durante seu pronunciamento, Rutte descartou a possibilidade de um colapso da Otan em decorrência das tensões, afirmando que a aliança “é crucial não apenas para a defesa da Europa, mas também para a defesa dos EUA”. Na terça-feira, 20, Trump havia colocado a utilidade da organização em xeque, afirmando não saber se os 31 estados-membros viriam a socorro de Washington em uma possível crise.

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“Eu digo a ele que sim, como fizemos no 11 de setembro de 2001, quando pela primeira e única vez o Artigo 5 foi disparado”, disse o secretário-geral, fazendo referência ao ataque terrorista promovido pela organização terrorista Al-Qaeda em Nova York, e ao dispositivo de defesa mútua da aliança.

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As declarações de Rutte ocorrem horas antes de Donald Trump discursar em Davos. O pronunciamento do mandatário está agendado para às 10h30 no horário de Brasília, e há expectativas em relação a possíveis comentários sobre a reivindicação americana da Groenlândia. Para especialistas, o discurso será um teste para ver se o republicano tranquilizará seus aliados europeus ou formalizará sua diplomacia de coerção.

Enquanto o discurso de Trump não ocorre, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, fez questão de manter os ânimos elevados ao afirmar que a Dinamarca é “irrelevante’”durante uma mesa de debate em Davos. A declaração ocorreu enquanto Bessent comentava uma possível retaliação comercial de Copenhague às sobretaxas de 10% impostas por Washington no sábado, 17.

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“O tamanho do investimento da Dinamarca em títulos do Tesouro dos EUA, como a Dinamarca em si, é irrelevante. É menos de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 540 milhões). Eles vêm vendendo títulos há anos, não estou nada preocupado”, disse Bessent.

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Desde que retornou à Casa Branca, Trump tem reiterado seu interesse em assumir o controle da Groenlândia. Embora as declarações tenham sido vistas como simples bravatas por muito tempo, a recente ação militar americana na Venezuela mudou tudo. A captura do ditador Nicolás Maduro e Trump afirmando que irá “governar” o país sul-americano fez com que muitos líderes europeus se mostrassem receosos de que a ilha ártica seja o próximo alvo.

Rica em recursos minerais e localizada em uma posição estratégica entre o norte do Oceano Atlântico e o Ártico, a Groenlândia é vista como território vital para a administração Trump. A Casa Branca acredita que é necessário assumir o controle do território como uma forma de impedir futuras incursões de Pequim e Moscou. Autoridades americanas têm discutido formas de concretizar esse objetivo, e nem mesmo uma ação militar está descartada.

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