Júpiter e Saturno são parecidos em tamanho, composição e aparência. Ainda assim, exibem um contraste curioso. Enquanto Saturno tem uma única e enorme tempestade no polo norte, organizada em um formato hexagonal, Júpiter abriga um conjunto de vários ciclones menores girando juntos. Há anos, essa diferença intriga os cientistas.
Agora, um novo estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) indica que esse contraste pode estar ligado ao que existe abaixo das nuvens. A pesquisa sugere que o padrão das tempestades nos polos funciona como uma espécie de “janela” para o interior dos planetas, revelando se suas camadas internas são mais leves ou mais densas.
Na imagem em 3D do polo norte de Júpiter, registrada em infravermelho, é possível ver esse conjunto de ciclones e anticiclones girando de forma organizada em torno da região polar.
O que as tempestades dizem sobre o interior dos planetas?
Usando simulações que geram imagens em três dimensões, os pesquisadores testaram como grandes tempestades se formam nos polos de planetas gigantes gasosos. Em alguns cenários, as correntes de ar se organizam em vários ciclones menores, justamente como acontece em Júpiter. Em outros, essas correntes acabam se fundindo em uma única tempestade gigantesca, como a observada em Saturno.
A diferença, segundo o estudo, está na “base” dessas tempestades. Quando as camadas internas do planeta são formadas por material mais leve, os ciclones tendem a permanecer pequenos e numerosos. Já quando o interior é mais denso, as tempestades crescem mais e acabam se unificando.
A conclusão dos pesquisadores é que Júpiter provavelmente tem um interior mais “macio”, com material menos denso, enquanto Saturno pode abrigar regiões internas mais pesadas. Essa diferença ajudaria a explicar por que um planeta tem vários ciclones polares e o outro apenas um.
Embora o interior desses gigantes esteja a milhares de quilômetros abaixo das nuvens, o estudo mostra que observar o clima na superfície pode revelar pistas importantes sobre o que acontece em profundidade.