O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira que pertencia ao Banco Master. Segundo o BC, a decretação foi necessária após a companhia deixar de pagar a Matercard e ter suas operações com a bandeira do cartão suspensas. Segundo a Mastercard, a medida foi aplicada para que a dívida da instituição financeira não aumentasse com a companhia.
Segundo dados do Banco Central, a instituição financeira encerrou o terceiro trimestre de 2025 com 14,16 bilhões em ativos. O Will Bank detinha 6,5 bilhões de reais em depósitos, o quais devem ser garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A companhia também detinha 1,2 bilhão de reais em letras financeiras e um passivo total de 14,1 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2025.
Embora pertencesse ao grupo do Banco Master, a decretação de liquidação da fintech não foi realizada em novembro junto com o conglomerado pelo fato de a financeira ser o único braço do grupo que dava lucro. No terceiro trimestre de 2025, o Will Bank reportou um lucro líquido de 408,3 milhões de reais, conforme dados disponíveis no site do Banco Central.
Desde a liquidação do Master, ocorrida em novembro, diversos pontos podem ter mudado dentro da companhia, visto que o balanço mais recente disponível no site do Banco Central é de setembro de 2025. Para o BC, o não pagamento de um fornecedor crucial da companhia sinaliza que algo tenha mudado dentro da empresa.
“Manter a empresa parecia algo viável. No entanto, no dia 19 de janeiro de 2026, o descumprimento pela Will da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo tronou a liquidação inevitável”, diz o Banco Central em nota.
Fundado em 2017, o Will Bank tinha como foco central do negócio proporcionar crédito para as classes D e E. A companhia, fundada em 2017, realizou a bancarização da população menos favorecida da sociedade. Em janeiro de 2024, o Will Bank foi comprado pelo Banco Master. A companhia era uma das esperanças dos controladores do conglomerado para ajudar a quitar as dívidas do conglomerado, que somam 56 bilhões de reais.
A empresa chegou a receber algumas intenções de compras recentemente, como o fundo Mubadala e a Fictor. Com a liquidação, todas as intensões caem por terra e o conglomerado Master perde uma joia preciosa para conseguir liquidar parte de sua dívida.