Menos sentimentos e mais pragmatismo. É esse o recado que investidores têm dado aos líderes globais às vésperas do discurso de Donald Trump em Davos — fala que, para o mercado, pode selar o rumo da relação entre União Europeia e Estados Unidos. Em um cenário de tarifas ameaçadas, disputa pela Groenlândia e desgaste transatlântico inédito em décadas, cresce a avaliação de que engrossar a voz pode custar caro. Trump ainda tem três anos de mandato, e a conta do confronto tende a ser longa.
O tom mais duro veio da França. O presidente Emmanuel Macron acusou Washington de agir como “valentão”, rejeitou a “lei do mais forte” e alertou que ceder levaria à “vassalização” europeia. A retórica ecoou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, enquanto outros líderes tentaram um registro mais contido para não inflamar ainda mais a crise — especialmente diante do dilema de responder às tarifas sem comprometer o apoio dos EUA à Ucrânia.
Nos bastidores, porém, banqueiros e executivos ouvidos em Davos foram diretos: a reação europeia pareceu emocional, não pragmática. A leitura é que negociar — filtrando o estilo do conteúdo — seria mais eficaz do que escalar o confronto. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou em independência estratégica, mas o mercado insiste: consenso e previsibilidade valem mais do que discursos duros. Em tempos de risco elevado, diplomacia fria costuma render retornos melhores.