A poucos meses do início formal da campanha presidencial, o cenário político começa a revelar um contraste que tende a marcar a disputa eleitoral. De um lado, a direita mantém o foco quase exclusivo na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança com uma agenda de entregas, anúncios e programas sociais, explorando o peso eleitoral de estar no comando da máquina pública (este texto é um resumo do vídeo acima).
A análise foi feita no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com comentários do colunista Robson Bonin, da coluna Radar. Para ele, a oposição começa o ano eleitoral sem discurso claro e acaba facilitando a estratégia do Planalto.
Por que a direita permanece presa ao tema Bolsonaro?
Bonin observa que a mobilização liderada pelo deputado Nikolas Ferreira, que anunciou uma caminhada de Minas Gerais até Brasília, simboliza esse aprisionamento da agenda oposicionista. O ato, segundo o parlamentar, busca chamar atenção para a prisão de Bolsonaro e para os condenados do 8 de janeiro, mas, na avaliação do colunista, pouco dialoga com as preocupações concretas do eleitorado.
Esse tipo de protesto ajuda a oposição?
Na leitura dos aliados de Lula ouvidos por Bonin, a iniciativa acaba servindo aos interesses do governo. A imagem de um deputado caminhando por uma rodovia reforçaria a percepção de que, passadas as primeiras semanas do ano, a oposição não apresenta propostas de futuro nem respostas para problemas imediatos da população, como custo de vida, segurança pública e economia.
Por que Lula aparece em vantagem neste momento?
Segundo Bonin, o presidente se beneficia do caráter plebiscitário da eleição. O eleitor tende a decidir se quer a continuidade do atual governo ou uma alternativa. Nesse contexto, Lula tem explorado agendas positivas, como a entrega de casas populares no Rio Grande do Sul, a ampliação do Bolsa Família e anúncios de investimentos públicos, que produzem efeitos imediatos na vida de milhões de brasileiros.
O que dizem as pesquisas sobre o governo?
Apesar de avaliações negativas captadas por pesquisas recentes — que apontam reprovação significativa ao governo e a percepção de que o país segue na direção errada —, Bonin destaca que esses números não se convertem automaticamente em força para a oposição. Falta, segundo ele, um projeto alternativo claro que dispute o futuro do país com o governo atual.
Quais temas a oposição deixa de explorar?
O colunista lista uma série de assuntos que poderiam estar no centro da agenda oposicionista, como violência, dificuldades econômicas, gastos sociais ineficientes e corrupção. Escândalos envolvendo fraudes bilionárias no INSS e o desvio de recursos por meio de emendas parlamentares também aparecem como temas com potencial de mobilização, mas seguem fora do foco principal da direita.
Como a máquina pública pesa na disputa?
Bonin ressalta que não se pode subestimar o impacto eleitoral de políticas como a distribuição de recursos do Bolsa Família para milhões de famílias ou anúncios bilionários de investimentos, como os voltados à indústria naval. Para o eleitor comum, essas medidas representam mudanças concretas e reforçam a imagem de um governo em ação.
O que explica a vantagem estratégica do Planalto?
Para o analista, Lula se apresenta como um presidente em plena atividade, cumprindo agendas, fazendo entregas e anunciando investimentos, enquanto a oposição aparece fragmentada e concentrada em pautas identitárias ligadas ao bolsonarismo. Esse contraste, segundo Bonin, tende a pesar na avaliação do eleitor.
A oposição ainda pode reagir?
Na avaliação final do colunista, a direita precisará mudar rapidamente de estratégia se quiser ter competitividade. Sem um discurso unificado, sem propostas claras e presa à agenda do clã Bolsonaro, a oposição corre o risco de chegar a outubro em clara desvantagem diante de um presidente que usa o cargo para ocupar o centro do debate político.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.