O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta terça-feira, 20, que autoridades locais estão em preparação para eventual incursão militar dos Estados Unidos, instando a população a começar a se preparar para uma invasão.
Embora tenha afirmado que considera “improvável” que os EUA de fato usem forças militares contra o território autônomo ligado à Dinamarca, esclareceu que “nada está descartado”.
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“Devemos estar preparados para todas as possibilidades.Mas enfatizamos que a Groenlândia faz parte da Otan e, se houver uma escalada, isso também terá consequências para o mundo exterior”, disse Nielsen, citando a principal aliança militar ocidental.
Na segunda-feira, a Dinamarca e a Groenlândia discutiram a possibilidade de uma missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região e no Ártico, afirmou o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen. A declaração ocorreu após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, em Bruxelas, em meio a ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o território administrado por Copenhague.
“Nós propusemos isso. O Secretário-Geral da Otan também tomou conhecimento disso, e acredito que agora podemos, com sorte, estabelecer uma estrutura sobre como isso pode ser alcançado”, informou Poulsen. “Isto também está em consonância com o que discutimos com o governo da Groenlândia.”
Ameaças à Groenlândia
Trump intensificou suas ameaças contra a Groenlândia nas últimas semanas, afirmando que os Estados Unidos assumiriam o controle do território “de um jeito ou de outro” porque isso seria necessário para a segurança nacional. Ele se recusou a descartar o uso da força militar para tomar a ilha, que é protegida por muitas das medidas oferecidas pela Otan, já que a Dinamarca é membro da organização.
O líder americano enviou uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, em que renovou a intenção de tomar o controle da Groenlândia, um território dinamarquês semiautônomo rico em minérios, e também vinculou suas ameaças à ilha no Ártico ao fato de não ter sido laureado com o Nobel da Paz, informou o jornal norueguês VG nesta segunda-feira, 19.
No texto, o presidente americano afirmou que, após não ter ganhado o prêmio distribuído por um instituto norueguês independente, não sente mais necessidade de pensar “apenas em paz”.
“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter impedido mais de oito guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas em paz”, disse Trump, acrescentando que agora pode “pensar no que é bom e apropriado” para os Estados Unidos.
Segundo o VG, a carta foi uma resposta a uma mensagem breve que Store e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, enviaram ao americano. Trump fez campanha intensa para ganhar o Prêmio da Paz do ano passado, que foi concedido a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana. Ela recebeu o prêmio em Oslo no mês passado, mas o dedicou a Trump e, na semana passada, deu-lhe a medalha do Nobel de presente.
No sábado, Trump anunciou que vai impor tarifas de 10% sobre as importações da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de 1º de fevereiro, até que seu governo seja autorizado a comprar a ilha ártica. “Agora é a hora, e isso será feito!”, o presidente declarou nas redes sociais. Diplomatas da União Europeia se reuniram para uma reunião de emergência no domingo, avaliando tarifas retaliatórias e sanções econômicas mais severas, enquanto as tensões transatlânticas continuam a aumentar.