O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira, 20, suspender o processo de ratificação do acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, informaram os principais grupos políticos da casa. A suspensão deve ser anunciada oficialmente em Estrasburgo, França, na quarta-feira, segundo a rede britânica BBC.
De acordo com a presidente da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (Grupo S&D), Iratxe García Pérez, existe um “consenso majoritário” para congelar o acordo como resposta às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e às tarifas que o republicano pretende aplicar contra países europeus que são opostos à tomada da ilha no Ártico.
O acordo entraria em vigor entre março e abril deste ano, após aprovação no Parlamento Europeu e governos dos Estados-membros. Sob o acordo, firmado em julho passado Washington, impôs taxas de 15% à maioria dos produtos da Europa, enquanto a Europa retirou parte de impostos obre importações americanas.
No sábado, poucas horas depois da ameaça de Trump de impor tarifas americanas sobre países contrários à tomada da Groenlândia, Manfred Weber, um influente membro alemão do Parlamento Europeu, já havia levantado a tese de que “a aprovação não é possível nesta fase”.
Trump anunciou pelas redes sociais que aplicaria uma tarifa de 10% sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso esses países europeus fossem contrários ao plano dos Estados Unidos de comprar a Groenlândia. Depois, em 1º de junho, a tarifa seria aumentada para 25%.
Em paralelo, o líder americano também enviou uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, em que renovou a intenção de tomar o controle da Groenlândia, um território dinamarquês semiautônomo rico em minérios, e também vinculou suas ameaças à ilha no Ártico ao fato de não ter sido laureado com o Nobel da Paz, informou o jornal norueguês VG nesta segunda-feira, 19.
Na segunda, Trump concordou em participar de uma reunião com líderes europeus sobre a Groenlândia, um território rico em recursos naturais, em Davos, mas adiantou que “não há como retroceder”. Ele também postou na Truth Social uma imagem feita com inteligência artificial em que aparece fincando uma bandeira dos EUA na Groenlândia, ao lado do seu vice, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. O mandatário da Casa Branca alega, desde o seu primeiro mandato, que a região é sensível para a segurança nacional dos EUA.