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Depois do terremoto: o que esperar da temporada fashion internacional?

Ainda ecoa o barulho de 2025. Um ano que virou a indústria do avesso, abriu portas históricas nas grandes maisons, trocou diretores criativos e deixou o sistema da moda em estado de alerta permanente. Agora, 2026 começa como quem inspira fundo depois da corrida: menos ansiedade, mais intenção. O calendário internacional começou, mas não como um roteiro burocrático, e sim como um mapa de expectativas muitos ajustes finos.

Em 2026, as semanas de moda voltam a ocupar seu lugar como termômetro do tempo. Do que se veste, mas também de como se consome, se comunica e se deseja. Entre Milão, Paris, Nova York, Londres, Copenhagen, Seul e o Rio de Janeiro, a temporada do primeiro semestre desenha um cenário em que a novidade não está apenas nos nomes recém-chegados às casas históricas, mas na maneira como cada cidade escolhe contar sua própria história.

Milão abriu o ano com sua precisão industrial e sensualidade silenciosa. Os desfiles masculinos de inverno inauguraram a temporada, seguidos, em fevereiro, pelo feminino — atentos ao equilíbrio entre tradição, alfaiataria afiada e experimentação controlada. No meio do ano, junho traz as propostas masculinas de verão, enquanto setembro fecha o ciclo com o feminino primavera/verão, quando se costumam revelar seus movimentos mais ousados.

Paris, como sempre, dita o ritmo emocional da moda. Janeiro concentra um dos momentos mais simbólicos: a alta-costura, em que o tempo desacelera e a roupa volta a ser obra. Em março, o outono/inverno feminino toma a cidade por mais de uma semana, num desfile contínuo de narrativas, estreias e consolidações. Já no fim de setembro e início de outubro, a capital francesa encerra a temporada com a primavera/verão, tradicionalmente o palco de coleções memoráveis.

Enquanto isso, outras capitais reforçam sua relevância com discursos cada vez mais claros. Copenhagen, no fim de janeiro, mantém sua posição como laboratório de sustentabilidade e design pragmático, onde o conceito pesa tanto quanto a estética. Nova York, em fevereiro, segue como espelho imediato do mercado e do street style, com desfiles pensados para dialogar com a vida real. Londres, logo depois, continua sendo território de experimentação, talento jovem e ideias que nem sempre querem agradar — e por isso importam.

No hemisfério sul, o calendário também se reorganiza. O Rio de Janeiro assume, em abril, o espaço antes ocupado por São Paulo no segundo semestre. A Rio Fashion Week surge como resposta a um momento em que moda, imagem, clima e cultura local se tornam ativos estratégicos, claro sinal de que o eixo criativo brasileiro também está em movimento.

Em 2026, as semanas de moda não prometem revoluções barulhentas como as do ano anterior. O que se anuncia é outra coisa: maturidade após o impacto, coleções pensadas para durar mais do que um ciclo de likes, e um sistema que tenta, aos poucos, se reconectar com o sentido de fazer roupa. Depois da agitação, vem o compasso. E é nele que a moda costuma dizer mais.

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