Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, invadiram a casa de um homem e o arrastaram para a neve vestindo somente cueca e calçando sandálias. O episódio aconteceu em Saint Paul, no estado americano de Minnesota, no domingo 18. A região tem sido palco crescente de manifestações contra as políticas migratórias do presidente americano Donald Trump, gerando tensões.
“Eu estava rezando. Pensei: ‘Deus, por favor, me ajude. Eu não fiz nada de errado. Por que estão fazendo isso comigo? Sem minhas roupas”, disse ChongLy Thao, de 56 anos, em entrevista à agência de notícias Reuters. Nascido no Laos, Thao é um cidadão americano desde a década de 90 e não possui ficha criminal.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que os agentes do ICE entram na residência do homem, arrastando-o para fora em meio à neve. É possível ver vizinhos protestando e buzinando contra a ação.
Yesterday, ICE raided a home on St. Paul’s East Side. Their target was ChongLy Scott Thao, an elderly Hmong American man.
He’s a U.S. citizen with no criminal record.
Armed ICE agents broke down the door without presenting a valid warrant, entered with guns drawn, and… pic.twitter.com/hxECEkcIqK
— Dede Watson (@Dede_Watson) January 20, 2026
Thao contou à agência de notícias Associated Press que sua nora o acordou de um cochilo do domingo para falar que agentes do ICE batiam à porta de sua residência. Assustado, o homem disse para ela não abrir a porta. No entanto, os agentes forçaram a entrada e invadiram a casa com armas em mãos, gritando com a família do morador de Minneapolis.
“Eles não mostraram nenhum mandato. Simplesmente arrombaram a porta”, contou Thao, que foi forçado a se cobrir com um cobertor enquanto os agentes o levavam para fora, tudo isso sendo visto por seu neto de 4 anos. O homem chegou a pedir que a nora encontrasse sua identidade para apresentar aos agentes, mas os membros do ICE afirmaram que não queriam vê-la.
Uma vez detido pela polícia de imigração, ele conta ter sido levado para “o meio do nada”, onde os agentes coletaram suas impressões digitais e tiraram fotos do seu rosto. Cerca de duas horas depois, os policiais perceberam que ele era cidadão americano e não tinha ficha criminal, e o conduziram de volta para casa. Ao chegar, eles solicitaram que Thao apresentasse sua identidade e depois saíram, sem qualquer pedido de desculpas.
O episódio foi condenado pelos familiares de Thao em um comunicado público, sendo definido como “desnecessário, degradante e profundamente traumático”. Segundo a emissora ABC, a família está particularmente incomodada devido ao fato de a mãe de Thao, Choua, ter sido uma enfermeira que “tratou inúmeros civis e soldados americanos” durante a Guerra Secreta no Laos entre 1961 e 1975, tendo de fugir para os Estados Unidos devido a suas ações no país após a tomada de poder pelos comunistas.
“Viemos aqui por um propósito, certo? Ter um futuro brilhante. Ter um lugar seguro para morar”, disse Thao. “Se isso vai acabar sendo a América, o que estamos fazendo aqui? Por que estamos aqui?”.
Em nota, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que os agentes do ICE estavam investigando criminosos sexuais condenados no endereço e que Thao teria se recusado a fornecer impressões digitais ou identificação facial, razão pela qual foi detido. Cartazes divulgados pelo DHS mostram dois homens como alvo das buscas, ambos descritos como “imigrantes ilegais criminosos” do Laos. Segundo a Reuters, um deles foi descrito por parentes de Thao como ex-marido de um membro da família.
A porta-voz do DHS, Trícia McLaughlin, defendeu a ação dos agentes em um comunicado, afirmando que Thao correspondia à descrição dos alvos. “Como em qualquer agência policial, é protocolo padrão manter todos os indivíduos sob custódia em uma casa de operação para a segurança do público e das forças da lei”, disse ela.