O Roblox, plataforma com mais de 150 milhões de usuários diários, tornou-se palco de uma revolta virtual sem precedentes. Crianças e adolescentes protestam no jogo contra novas regras de comunicação, e Felca virou alvo de ameaças e ódio. O influenciador publicou em suas redes sociais várias mensagens de usuários menores de idade acusando-o de ser o responsável pelas medidas. Nesta terça, 20, ele publicou uma mensagem em áudio que supostamente teria sido mandada por um usuário que foi alvo das restrições: “Você arruinou a vida de todo mundo!”. Ouça abaixo.
Em 7 de janeiro, a Roblox Corporation implementou diretrizes rigorosas de segurança para adequar-se a legislações globais de proteção infantil, incluindo o ECA Digital brasileiro, sancionado em setembro de 2025. Agora, o chat de voz e texto exige verificação de idade por reconhecimento facial ou documentos. O sistema impõe segregação etária: menores de 9 anos só interagem com usuários de até 13 anos, e adultos não podem conversar com menores de 16. As medidas respondem a denúncias de aliciamento, simulações de estupro e exposição à pornografia, problemas que geraram processos nos EUA e investigações no Brasil.
Embora as mudanças sejam institucionais, a fúria recaiu sobre o youtuber Felca. Em agosto de 2025, seu vídeo viral sobre “adultização” e exploração infantil expôs subculturas tóxicas e impulsionou debates legislativos. Para muitas crianças, Felca é o culpado pelo fim da “liberdade” no jogo. O influenciador recebe ameaças de morte diárias. Dentro da plataforma, facções se formaram: os “Anti-Felca” e a “Tropa do Felca”.
Especialistas alertam que a revolta reflete a perda de um espaço de pertencimento, mas há uma camada mais sombria: suspeita-se que pedófilos e aliciadores, impedidos pelo novo sistema, estejam incitando os protestos para desestabilizar as regras.

A SaferNet Brasil registrou que 64% das denúncias em 2025 envolviam abuso sexual infantil, com crescimento no uso de IA para criar material de abuso. A Roblox mantém sua posição e não recuará das medidas de segurança, evidenciando o conflito entre proteção necessária e a cultura de liberdade de uma geração nativa digital.