O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deu início, na última segunda-feira, 19, a uma caminhada de Minas Gerais a Brasília em forma de “protesto” ao que ele classifica como arbitrariedades recentes — incluindo a condenação por tentativa de golpe de estado e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e das pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo o parlamentar, que fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo Lula, os brasileiros têm amargado sentimentos de “indignação” e “impotência” frente aos “escândalos” que se desenrolam no país, e conclamou apoiadores para irem às ruas, no que tem chamado de “Caminhada pela liberdade e justiça”.
“Você não está sozinho. Todos os meios de ação nos tiraram. Jurídicos, legislativos, mas sobrou uma coisa que talvez seja a mais importante: sobrou a nossa voz. E se Deus me entregou isso, eu vou ser essa voz”, disse em vídeo publicado na última segunda, 19.
Veja cinco curiosidades sobre a “Caminhada pela liberdade e justiça” de Nikolas Ferreira até agora:
1 – Trajeto de mais de 200 km
A caminhada saiu de Paracatu, no extremo noroeste de Minas Gerais — próximo da divisa com Goiás –, na manhã de segunda-feira, 19. O grupo segue pelo acostamento da BR-040 — no total, o trajeto tem 234 quilômetros de distância. De carro, a viagem seria de aproximadamente três horas. A pé, no entanto, a previsão de Nikolas é de que a chegada a Brasília aconteça do domingo, 25, quando está prevista uma manifestação com apoiadores. No primeiro dia, o grupo percorreu 36 quilômetros durante cerca de oito horas, até o início da noite. Nesta terça, 20, deu início à caminhada por volta das 7h30, com expectativa de mais 40 quilômetros a serem percorridos.
2 – Carlos Bolsonaro e outros aliados participam
A mobilização tem tido a adesão de parlamentares aliados. O primeiro a chegar, na segunda, foi o deputado federal André Fernandes (PL-CE), nome-forte do partido no estado, e uma das principais apostas da sigla no quinto maior colégio eleitoral do país. Os também deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Luciano Zucco (PL-RS) também somaram-se ao grupo. Na manhã desta terça, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, juntou-se à caminhada. Durante o trajeto, Nikolas recebeu ligações de outros aliados, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
3 – Citações ao 8 de Janeiro
Nikolas tem feito vídeos lembrando de condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023. Algumas das figuras mencionadas foram Clezão, empresário preso pelos atos que acabou falecendo por problemas de saúde no Complexo Penitenciário da Papuda, em novembro de 2023, e Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, condenada a dezessete anos de prisão por vários crimes, entre eles vandalizar com a frase “Perdeu, mané” a estátua “A Justiça”, em frente ao STF. O deputado também mencionou Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro preso no início do mês, após o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, declarar que ele havia descumprido medida cautelar que o proibia de usar redes sociais.
4 – Carta aberta
Ao dar início à caminhada, Nikolas divulgou uma carta aberta “ao povo do Brasil”, na qual explica o porquê da mobilização. Afirmando não ser “um gesto de vaidade” e nem um “espetáculo”, ele diz que é um “ato de consciência, amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade”. Entre os motivos principais, segundo ele, estão os “processos ilegais, parciais e arbitrários” dos quais são alvo os condenados pelo 8 de janeiro, a “perseguição” a Jair Bolsonaro, e a defesa ao PL da Dosimetria, cujo veto do presidente Lula será um dos principais pontos a serem tratados pelo Congresso na volta do recesso, no início de fevereiro.
5 – Sem parada para fotos
Apesar de cumprimentar pessoas que o abordam durante o trajeto, Nikolas deixou claro que não vai parar a caminhada para conversar e tirar fotos com aliados. Selfies, vídeos e registros são permitidos, mas sem interromper o passo. Nas redes, o deputado tem publicado vídeos de motoristas que passam de carro pela estrada demonstrando apoio, além de pedestres que o interpelam para tirar fotos.