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Como um santo da Igreja Católica virou padroeiro dos gays

A história de São Sebastião, mártir cristão do século III, é marcada por narrativas lendárias que o descrevem como um soldado romano que, secretamente cristão, teria sido descoberto e condenado à morte. Sua representação mais icônica, fruto sobretudo da arte renascentista, mostra um jovem atlético e seminu, amarrado a um tronco e perfurado por flechas – um primeiro martírio do qual, segundo a tradição, ele milagrosamente sobreviveu, para depois ser executado de forma definitiva. Ao longo dos séculos, essa imagem consolidou sua veneração como protetor contra epidemias e, no Brasil, sua associação com o Rio de Janeiro, cuja fundação portuguesa em 1567 ocorreu em seu dia festivo, tornando-o padroeiro da cidade.

A transformação de São Sebastião em um ícone da comunidade LGBTQIA+ é um fenômeno cultural moderno. Acadêmicos argumentam que a representação reiterada de seu corpo jovem, vulnerável e em êxtase sofrido, sustentou um ideal homoerótico na arte ocidental. A comunidade gay contemporânea viu nessa imagem não apenas uma estética que dialoga com o desejo, mas também um poderoso símbolo de resiliência: um homem que, após sobreviver a uma primeira agressão, ousou confrontar abertamente a autoridade (o imperador) para afirmar sua verdadeira identidade (cristã), paralelizando assim a coragem de se assumir publicamente.

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