O presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, demitiu o seu vice-primeiro-ministro, Yang Sung-ho, e o comparou a “uma cabra puxando uma carroça de bois”, informou a agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira, 20. Ele culpava Yang por causar “confusão desnecessária” nas obras de modernização do Complexo de Máquinas de Ryongsong. A demissão ocorre antes do congresso do Partido dos Trabalhadores, o primeiro em cinco anos, considerado um dos principais espetáculos de propaganda da Coreia do Norte.
Nas últimas semanas, Kim fez uma série de visitas a fábricas e supervisionou testes de armas antes do congresso, que deve ser realizado entre janeiro e fevereiro. O líder norte-coreano inspecionou o projeto em Ryongsong, um dos principais complexos de produção de máquinas fora da capital, Pyongyang, na segunda. Em discurso, ele disse que o plano sofreu “um prejuízo econômico considerável” devido à incompetência de funcionários, criticando Yang pela falta de qualquer responsabilidade.
“Para usar uma linguagem mais simples e figurativa, ele era como uma cabra puxando uma carroça de bois. Devemos encarar isso como um erro incidental em nosso processo de nomeação de pessoal”, justificou Kim. “Poderíamos esperar que uma cabra puxasse uma carroça para um boi?”
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Em contrapartida, Moon Seong-mook, especialista do Instituto Coreano de Pesquisa para Estratégia Nacional, com sede em Seul, afirmou ao jornal britânico The Guardian que, na verdade, os problemas no projeto eram reflexo de entraves enfrentados pela Coreia do Norte como um todo. Alvo de sanções internacionais, o país lida com recursos escassos e, por isso, tende a destiná-los a programas de armamento.
“Kim Jong-un apostou tudo nos programas nucleares e de mísseis, mas administrou mal a economia. Ele está simplesmente transferindo a culpa de seus erros para um subordinado”, disse Moon ao The Guardian.
Após graves problemas financeiros durante a pandemia de Covid-19, com relatos de fome aguda, o banco central da Coreia do Sul informou que a economia cresceu 3,7% em 2024. Analistas, contudo, não acreditam que um crescimento rápido e prolongado seja possível em razão do foco do regime de Kim no armamento e da centralização da economia, além dos obstáculos causados pelas sanções.