O Ibovespa iniciou o pregão desta terça-feira (20) em queda, aos 164 340 pontos, pressionado pelo aumento das incertezas no cenário internacional. O movimento reflete as novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos e a escalada das tensões geopolíticas após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a intenção de assumir o controle da Groenlândia.
No cenário doméstico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda no Rio Grande do Sul, onde participa da entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, no município de Rio Grande. Ainda nesta terça, o presidente estará presente na cerimônia de assinatura de contratos para a construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças.
Entre os grandes bancos, o pregão começou com desempenho negativo generalizado. O Itaú (ITUB4) liderava as perdas, com recuo de 0,94%, seguido por Santander (SANB11), que caía 0,93%. Bradesco (BBDC4) registrava baixa de 0,74%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,66%. No setor varejista, por outro lado, Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3) destoavam do movimento e avançavam 0,35% e 0,12%, respectivamente.
Cenário internacional
No exterior, Donald Trump voltou a elevar o tom ao ameaçar a implementação de uma série de tarifas comerciais progressivas a partir de 1º de fevereiro sobre oito países europeus, condicionando a suspensão das medidas à autorização para que os Estados Unidos comprem a Groenlândia. A postura reacendeu temores de uma nova guerra comercial global. Apesar do ceticismo de parte do mercado quanto à efetiva adoção das tarifas, investidores seguem cautelosos diante da retórica agressiva do presidente norte-americano.
Também entra no radar nesta terça-feira a Suprema Corte dos Estados Unidos, que deve divulgar novas decisões. Entre os processos pendentes estão ações que questionam a legalidade das tarifas comerciais impostas durante o governo Trump.
Para Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado reage diretamente às tensões envolvendo os Estados Unidos e a Groenlândia, o que provoca uma redistribuição dos investimentos. Segundo ele, ativos de proteção ganham protagonismo. “Da ponta contrária, a gente acompanha o ouro batendo novas máximas históricas subindo 2.9%, assim como a prata subindo mais de 7%. Vale lembrar que todos esses esses movimentos são ajustes no mercado e é uma aversão ao risco”, explica.
Por volta das 11h, o dólar operava em 5,40 reais, enquanto os índices futuros em Wall Street apresentavam forte recuo: o Dow Jones Futuro caía 1,35%, o Nasdaq Futuro recuava 1,60% e o S&P 500 Futuro tinha baixa de 1,45%. Para Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, o cenário para a moeda norte-americana é de fortalecimento no curto prazo. “Hoje a gente vê o dólar ganhando força, principalmente pelo fato do Trump vir impondo tarifas à União Europeia, pelo fato do presidente Emanuel Macron não aceitar o anexo da Groenlândia aos Estados Unidos e não só ele, mas também boa parte dos presidentes da Europa”, avalia.