O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira, 19, impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses em retaliação à decisão do presidente da França, Emmanuel Macron, de não participar do Conselho de Paz para Gaza. Há preocupações entre críticos de que a iniciativa, parte do plano de 20 pontos dos EUA, enfraqueça o papel das Nações Unidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está entre os convidados para compor o grupo, mas ainda avalia se aceitará participar.
“Ele disse isso mesmo? Bem, ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve”, disse Trump a repórteres após ser questionado sobre a recusa de Macron. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa.”
Vinhos e bebidas alcoólicas exportadas da União Europeia (UE) para os Estados Unidos já estão sujeitas a uma tarifa de 15% — uma taxa que os franceses têm pressionado para que seja reduzida a zero devido ao acordo comercial EUA-UE, fechado em julho do ano passado na Escócia. Os EUA são o maior mercado para vinhos e destilados da França, com remessas de 3,8 bilhões de euros (cerca de R$ 24 bilhões na cotação atual) em 2024.
Na manhã de terça-feira, 20, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, definiu as ameaças de Trump como uma forma de “chantagem”, acrescentando durante entrevista à emissora francesa TF1: “É chocante porque é brutal, é feito para forçar a conformidade”. Trump convidou, ao todo, 49 países mais a UE, incluindo Reino Unido, Canadá, Arábia Saudita, Brasil, Argentina, Catar, Egito, Belarus e Rússia — esse último sob críticas, já que o governo de Vladimir Putin trava há quase quatro anos uma guerra na Ucrânia.
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Questão da Groenlândia
Como parte da campanha de pressão, Trump também publicou na Truth Social, rede social da qual é dono, uma troca de mensagens com Macron. No texto, o chefe do Eliseu diz que concorda com o republicano sobre a Síria e que podem fazer “grandes coisas” no Irã, mas contrapõe: “Eu não consigo entender o que você está fazendo na Groenlândia”, em referência às ameaças de Trump de tomar a região autônoma administrada pela Dinamarca.
Macron também propõe uma reunião do G7, grupo que reúne os países mais industrializados do mundo, e informa que pode chamar os “ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos às margens” do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que se estenderá até 23 de janeiro. Ele convida, ainda, o líder americano para um jantar em Paris antes de retornar para os EUA. A autenticidade das mensagens foi confirmada.
Na segunda, Trump concordou em participar de uma reunião com líderes europeus sobre a Groenlândia, um território rico em recursos naturais, em Davos, mas adiantou que “não há como retroceder”. Ele também postou na Truth Social uma imagem feita com inteligência artificial em que aparece fincando uma bandeira dos EUA na Groenlândia, ao lado do seu vice, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. O mandatário da Casa Branca alega, desde o seu primeiro mandato, que a região é sensível para a segurança nacional dos EUA.
