A usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, palco do pior desastre nuclear civil da história, sofreu uma interrupção total no fornecimento de energia externa na manhã desta terça-feira, 20, após uma salva de bombardeios da Rússia ao território ucraniano. Embora os reatores estejam desativados, a eletricidade é essencial para ativar sistemas de resfriamento caso o combustível nuclear que resta superaqueça.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que diversas subestações elétricas ucranianas, vitais para a manutenção da segurança nuclear, foram afetadas pelos disparos. Linhas de transmissão de energia que abastecem outras instalações nucleares em todo o país também foram afetadas.
“A AIEA está acompanhando ativamente os desdobramentos para avaliar o impacto na segurança nuclear”, acrescentou Rafael Grossi, diretor da agência.
Além disso, autoridades ucranianas afirmaram que os ataques desta terça interromperam o fornecimento de energia e aquecimento para milhares de residências em Kiev, deixando os moradores expostos a temperaturas polares.
Temores de acidente nuclear
O incidente desta terça ocorre após a agência de vigilância nuclear da ONU ter alertado que o escudo protetor de Chernobyl não consegue mais conter o material radioativo devido aos danos causados por um ataque de drones em fevereiro de 2025. Na ocasião, o projétil perfurou a estrutura externa que ajuda a impedir vazamentos de radiação do reator número quatro.
A Ucrânia afirmou que a Rússia estava por trás do ataque, mas o Kremlin negou a responsabilidade.
Grossi afirmou que uma inspeção realizada em dezembro de 2025 constatou que a estrutura havia “perdido suas funções primárias de segurança, incluindo a capacidade de confinamento”. Embora reparos tenham sido realizados, o local requer uma “restauração completa” para “evitar maiores danos e garantir a segurança nuclear a longo prazo”, disse o diretor da AIEA.
O escudo foi construído em 2016 para impedir a liberação de material radioativo na atmosfera devido ao desastre de Chernobyl. O último reator em funcionamento da usina foi desativado em 2000.
Chernobyl foi destruída em 1986, quando a usina explodiu e espalhou uma nuvem de radiação por toda a Europa. Até hoje, esse é considerado o pior acidente nuclear do mundo, tendo matado ao menos 31 pessoas e deixado milhares de outras expostas a doenças como câncer.