A escalada de ameaças entre Estados Unidos e União Europeia — com tarifa extra anunciada por Trump e o pano de fundo da Groenlândia — aumenta a imprevisibilidade e eleva o prêmio de risco. No Mercado, o economista Ricardo Rodil (Crowe Macro) resumiu o efeito mais imediato: em ambiente de tensão, quem mais perde são os setores de bens duráveis e consumo discricionário (casas, automóveis e itens “supérfluos”), porque o consumidor segura gastos quando a confiança cai; já bens essenciais tendem a sofrer menos, pois a demanda é mais “inelástica” — “arroz e feijão” continuam no carrinho.
No recorte de mercado, Ricardo destacou que as empresas de tecnologia costumam sentir primeiro o baque e citou a queda das big techs americanas nas bolsas europeias: com a atitude agressiva de Washington, cresce a expectativa de a Europa buscar mais autonomia tecnológica e reduzir o uso de bases americanas. Na alocação, ele nota uma migração para proteção e reforça que a renda fixa ganha terreno com a Selic alta, mas com um alerta: renda fixa não é isenta de risco, porque os papéis carregam risco de emissores (empresas) — ainda assim, tende a ser mais segura do que escolher ações “empresa a empresa”.