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Por que o Conselho de Paz de Trump alarma a diplomacia

O convite do governo dos Estados Unidos para a criação de um chamado Conselho da Paz, que administraria de forma interina a Faixa de Gaza, abriu um novo flanco de controvérsia na política internacional. O tema foi debatido no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, em entrevista com o mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli, que questionou a viabilidade e a legitimidade da iniciativa defendida pelo presidente americano, Donald Trump (este texto é um resumo do vídeo acima).

Convites foram enviados a diversos países para integrar o conselho, incluindo o Brasil, a Rússia e a Argentina. O presidente brasileiro, Lula, ainda não respondeu oficialmente. A proposta prevê que o órgão governe Gaza até a formação de um governo local, mas já desperta críticas por seu potencial de rivalizar com instituições multilaterais tradicionais.

O que é o Conselho da Paz proposto por Trump?

Na análise de Uriã Fancelli, a iniciativa chama atenção desde o nome. Para ele, trata-se de uma proposta que reconfigura a lógica da governança internacional ao criar uma espécie de conselho de segurança paralelo, controlado diretamente pelo presidente dos Estados Unidos, sem os mecanismos clássicos de equilíbrio institucional.

Por que a composição do conselho gera controvérsia?

O especialista destacou o caráter contraditório dos convites feitos. Entre os nomes citados está o presidente russo, Vladimir Putin, que possui mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional. Para Fancelli, a presença de líderes envolvidos em conflitos armados fragiliza o discurso de promoção da paz que sustenta a proposta.

Como funcionaria a adesão ao conselho?

De acordo com o que foi discutido no programa, os países poderiam participar por ciclos renováveis de três anos. No entanto, aqueles que desejassem presença permanente precisariam pagar cerca de 1 bilhão de dólares já no primeiro ano. Não há clareza sobre o destino desses recursos nem sobre os mecanismos de prestação de contas, o que reforça as dúvidas sobre transparência e legitimidade.

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O conselho rivaliza com a ONU?

Para Fancelli, esse é um dos pontos centrais da crítica. O desenho do Conselho da Paz ignora o sistema multilateral construído no pós-Segunda Guerra Mundial e enfraquece o papel da Organização das Nações Unidas. Na prática, segundo ele, a proposta substitui o consenso internacional por critérios financeiros e decisões concentradas em um único líder.

Qual o argumento dos Estados Unidos para criar esse órgão?

O governo americano sustenta que instituições multilaterais tradicionais seriam lentas e ineficazes. O estatuto do conselho, segundo Fancelli, aposta em soluções mais rápidas e pragmáticas, livres das “amarras institucionais” que, na visão de Trump, falharam no passado. Para o analista, esse discurso serve para justificar a concentração de poder e a fragilização das regras internacionais.

O projeto tem chance de sair do papel?

Na avaliação do convidado, a proposta tende a permanecer mais no campo retórico do que prático. A falta de legitimidade internacional, a ausência de mecanismos claros de controle e o caráter personalista do órgão reduzem suas chances de aceitação ampla. Ainda assim, o debate expõe uma tentativa de redefinir as bases da ordem internacional, com implicações que vão além da situação específica de Gaza.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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