A União Europeia anunciou tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos em resposta às ameaças comerciais feitas pelo presidente Donald Trump. O tema foi analisado no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, em entrevista com o mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli, que destacou a importância política do movimento, mais do que seu impacto econômico imediato (este texto é um resumo do vídeo acima).
Países como Dinamarca, Reino Unido, Alemanha e França anunciaram tarifas que somam cerca de 93 milhões de euros em represália às ameaças americanas. Trump havia levantado a possibilidade de impor tarifas de 10% a produtos europeus, com chance de elevação para até 25%, como forma de pressão política.
As tarifas europeias têm efeito econômico relevante?
Na avaliação de Fancelli, o valor anunciado não é expressivo a ponto de causar um impacto direto significativo na economia americana. O especialista ponderou que, do ponto de vista financeiro, trata-se mais de um incômodo pontual do que de uma medida capaz de alterar o comportamento dos Estados Unidos no curto prazo.
O que muda na postura da União Europeia?
Para o convidado, o principal efeito está na sinalização política. A União Europeia vinha sendo criticada por adotar respostas consideradas excessivamente cautelosas diante das ofensivas de Trump. A decisão de retaliar, ainda que de forma limitada, indica uma tentativa de mudança de postura diante de um cenário em que o comércio passou a ser usado como instrumento de pressão política.
Por que a Europa evitava o confronto direto?
Segundo Fancelli, a dependência europeia dos Estados Unidos em temas de segurança dificultava reações mais duras no passado. Diferentemente de líderes como o presidente da China, Xi Jinping, ou o presidente brasileiro, Lula, que optaram por confrontar Trump em outras ocasiões, a Europa não tinha margem política para adotar a mesma estratégia.
O que é o instrumento anticorreção citado no debate?
O especialista explicou que a União Europeia estuda recorrer ao chamado instrumento anticorreção, descrito como a “bazuca comercial” do bloco. A medida permitiria restringir o acesso ao mercado europeu de empresas de países que tentem forçar mudanças em decisões soberanas do bloco por meio de tarifas, boicotes ou outras formas de coerção econômica.
Por que essa ferramenta pode pesar mais que tarifas?
Na prática, o instrumento anticorreção teria potencial de causar impacto mais profundo do que tarifas pontuais, ao atingir diretamente empresas estrangeiras interessadas no mercado europeu. A proposta tem sido defendida de forma mais enfática pelo presidente francês, Emmanuel Macron, embora ainda não conte com apoio unânime dentro da União Europeia.
Até que ponto as ameaças de Trump se concretizam?
Fancelli lembrou que o presidente americano frequentemente abandona ameaças ao longo do caminho. Como exemplo, citou a recente retórica contra o Irã, quando Trump anunciou tarifas a países que mantivessem comércio com Teerã, discurso que acabou sendo deixado de lado poucos dias depois.
Ainda que os efeitos práticos imediatos sejam limitados, o movimento sinaliza que a União Europeia pode estar disposta a responder com mais firmeza caso as ameaças comerciais dos Estados Unidos avancem.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.