A economia chinesa encerrou 2025 exatamente onde o governo havia prometido colocá-la: crescendo 5%. O número, divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), repete o desempenho de 2024 e cumpre à risca a meta definida por Pequim. Um feito político tão relevante quanto econômico em um ano marcado por tensões comerciais, juros globais elevados e crescente fragmentação geopolítica.
À primeira vista, o resultado reforça a narrativa oficial de resiliência. A China conseguiu avançar mesmo sob o peso de uma guerra tarifária persistente com os Estados Unidos e de um ambiente externo menos favorável ao comércio. As exportações voltaram a ser o principal amortecedor do crescimento. Em 2025, a balança comercial registrou um superávit de cerca de US$ 1,2 trilhão, evidência de que a indústria chinesa segue altamente competitiva, e de que o mundo continua dependente de seus bens.
Mas, o cumprimento da meta esconde nuances importantes. O ritmo de crescimento perdeu fôlego ao longo do ano. No quarto trimestre, o PIB avançou 4,5% na comparação anual, abaixo dos 4,8% registrados no trimestre anterior, embora em linha com as expectativas do mercado. Na comparação trimestral, a expansão foi de 1,2% entre outubro e dezembro, um leve ganho frente ao 1% do terceiro trimestre, sugerindo estabilidade, mas não aceleração.
O próprio comunicado oficial reconhece o cenário desafiador. Segundo o NBS, 2025 foi marcado por “mudanças complexas no ambiente econômico doméstico e global”. A resposta, afirma o órgão, foi uma execução rigorosa das diretrizes do Partido Comunista da China (PCC) e do Conselho de Estado, com políticas macroeconômicas “mais proativas e eficazes”.
Na prática, porém, o mercado doméstico continua sendo o elo mais frágil. O consumo segue morno, pressionado por renda disponível ainda incerta e por uma confiança do consumidor afetada pela prolongada crise no setor imobiliário. O desemprego urbano ficou em 5,2% em 2025, praticamente estável em relação ao ano anterior.