O ex-deputado e ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo, aos 73 anos. A morte foi informada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade da qual Jungmann era diretor-presidente. O ex-ministro lutava contra um câncer de pâncreas.
O político foi deputado federal por Pernambuco por três mandatos e exerceu o cargo de ministro por quatro vezes nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michele Temer. Com FHC, comandou as pastas de Política Fundiária e Desenvolvimento Agrário. Com Temer, foi ministro da Defesa e da Segurança Pública.
Em entrevista recente a VEJA, Jungmann comentou os desafios do combate ao crime organizado: “O que se chama de segurança pública no Brasil é funcional ao aumento da violência, da insegurança e do crime organizado porque funciona, basicamente, tirando bandidos das ruas. Daí para frente o que acontece é que esses bandidos são jogados em penitenciárias que aproximadamente 80%, 90% delas estão controladas por facções criminosas. Ou seja, você tira da rua e joga para os braços das facções. Todos os apenados, para sobreviver dentro do sistema prisional, precisam estar associados a uma dessas facções. Se não, eles correm o risco de morrer, de serem violentados, de serem torturados. Quando eles voltam para as ruas, há uma mudança: eles não são bandidos isolados, e agora são bandidos a serviço exatamente das fações criminosas. É assim que funciona a máquina de crescer, expandir e fortalecer o crime organizado no Brasil. Enquanto essa máquina não for desligada, simplesmente não tem jogo.”