Relator do processo das pedaladas fiscais, acusação que serviu de verniz jurídico para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes disse a VEJA que pode se candidatar ao Senado nas eleições de outubro ou compor como vice uma chapa de direita ao governo do Rio Grande do Sul ou do Distrito Federal. Se consolidada, a candidatura abriria uma nova vaga na Corte que tomou o noticiário político-econômico nos últimos dias ao chamar para si uma inspeção para apurar o processo de liquidação do Banco Master.
Nardes afirmou ter recebido uma sondagem para retornar à política depois de mais de duas décadas e pretende informar o TCU sobre sua decisão entre fevereiro e março. Caso ele antecipe sua saída do colegiado responsável por auditar contas públicas, políticos do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e até políticos que há pouco integravam o governo Lula, prometem desde já se digladiar pela vaga.
Na lista de virtuais candidatos à sucessão de Nardes estão o ministro demissionário dos Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que deixará o governo para se candidatar ao Senado, a deputada Roberta Roma (PL-BA), esposa do presidente do PL na Bahia e ex-ministro de Bolsonaro João Roma, e o deputado e relator da Reforma Administrativa na Câmara Pedro Paulo (PSD-RJ).
“Houve uma sondagem para eu ser candidato a senador, vice-governador ou deputado federal pelo Rio Grande do Sul ou por Brasília. Estou avaliando e fiquei de dar uma resposta em fevereiro ou março. Minha bandeira é a da governança. Fui buscar as melhores práticas do mundo e implantei no TCU indicadores de governança de pessoas e de contas. Eu poderia voltar à política para aprovar essa lei porque não vejo futuro, seja para a esquerda ou para a direita, sem governança”, disse Nardes. “Considero fundamental defender a governança para o país ter projeto de Estado, de nação, e não projetos individuais de um governo, que são muito mais de cunho eleitoral do que de cunho estruturante”, completou.
Entre integrantes do TCU, há quem duvide se Nardes vai de fato abrir mão de quase dois anos à frente do tribunal – sua aposentadoria compulsória, aos 75 anos, é só em outubro de 2027 – e lembram que os planos originais do ministro incluíam a Presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), hoje ocupada pelo brasileiro Ilan Goldfajn, ou uma candidatura ao governo do Rio Grande do Sul.
Uma outra vaga no TCU será aberta no final de fevereiro com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. Desde 2024 a cadeira está prometida ao ex-líder do PT na Câmara Odair Cunha (MG), que negociou o apoio dos petistas à candidatura de Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Casa. A despeito do acordo com Odair Cunha, os deputados Elmar Nascimento (BA) e Danilo Forte (CE), ambos do União Brasil, e Hugo Leal (RJ), do PSD, também se apresentaram como postulantes à cadeira.
Hugo Leal foi relator do antigo orçamento secreto, enquanto Danilo Forte apadrinhou o calendário de pagamento obrigatório de emendas parlamentares. Investigado em uma operação policial que apura supostos desvios de recursos de emendas, Elmar Nascimento, por sua vez, aposta no espírito de corpo e na resistência de bolsonaristas em apoiar um candidato do PT para chegar lá.