A relação de Erika Hilton (PSOL-SP) com a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Lula, a cargo do ministro Sidônio Palmeira, começou há cerca de um ano, quando a deputada fez um vídeo para rebater o bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a falsa “taxação do Pix”, ajudando o Palácio do Planalto a estancar uma onda de desgaste nas redes sociais.
Nos meses seguintes, quando passou a tratar com o marqueteiro de Lula sobre o fim da escala 6×1 —Erika é autora de uma das PECs que altera as relações trabalhistas inscritas na Constituição— , a porta da Secom já estava aberta. Palmeira viu o potencial eleitoral na causa, e, no último 1º de Maio, introduziu uma menção incipiente ao tema no pronunciamento do presidente pelo Dia do Trabalhador.
A reação colhida em pesquisas convenceu o publicitário de que tinha encontrado uma bandeira para a reeleição do petista. No discurso de Natal, Lula embarcou na proposta, chamando-a de “demanda do povo” que os políticos devem “transformar em realidade”. Agora, a aprovação do direito trabalhista é assunto de governo e carro-chefe para a campanha por mais quatro anos na Presidência.
Segundo pesquisa da Quaest divulgada em julho do ano passado, 71% dos brasileiros apoiam a proposta para alterar o modelo atual que o governo passou a defender. Os números explicam a obsessão do chefe da Secom pelo tema, apresentado por ele como prioridade do Palácio do Planalto para 2026 em artigo publicado recentemente na Folha de S.Paulo.
“Queremos aprovar o fim da escala 6×1 ainda neste ano. Se não for aprovada, não tenha dúvida que será um tema forte para o presidente Lula, que já expressou em dois pronunciamentos em cadeia nacional sua posição pelo fim da 6×1 e redução da jornada de trabalho, sem redução de salário”, afirmou a VEJA o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Somando-se à emenda apresentada por Erika Hilton, há também uma PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou em dezembro.
A deputada do PSOL declara toda sua gratidão a Sidônio Palmeira por ter sido o primeiro ministro do governo Lula a conferir protagonismo ao fim da escala 6×1. Com apoio do marqueteiro, Erika fez um giro pelos gabinetes da Esplanada envolvidos com a proposta.
Agora, além de ter recebido o reforço da máquina palaciana, que inclui uma parceria com a ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, a parlamentar disse estar à espera de estudos dos ministérios da Fazenda, de Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, de Simone Tebet, sobre o impacto de sua PEC na economia.