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Mary Del Priore desmistifica a imagem de Chica da Silva em novo livro

Em Meu nome é Francisca – Uma história de Chica da Silva (ed. José Olympio), a historiadora Mary Del Priore revisita a trajetória de Chica da Silva, desmistificando a imagem que ficou eternizada pelo audiovisual de forma folclórica e sexualizada. Com uma linguagem original que destaca os falares africanos em Minas Gerais no Brasil Colônia, Mary se debruça sobre Francisca desde a infância, e mostra como ela e muitas outras mulheres negras construíram o segundo grupo mais rico da região.

Meu nome é Francisca desmistifica a imagem da Chica da Silva construída até agora. Traz a história de uma menina chamada Francisca e revela também a história de muitas outras mulheres negras que viveram como donas de casa, cuidando dos seus filhos, cuidando dos seus afazeres, cuidando dos seus bens, vivendo relações consensuais que não passavam pelo casamento na igreja, mas que eram tão duradouras e sólidas quanto. O livro mostra ainda que as mulheres afro-mestiças constituíram o segundo grupo mais rico na Minas colonial. Francisca foi uma excelente mãe e fez as filhas estudarem, e o livro mostra como a mestiçagem foi importante para todo um grupo de pardos brasileiros que foi estudar em Coimbra”.

Mulher negra nascida escravizada, Chica da Silva foi alforriada e se tornou a mulher mais rica do Brasil. Ela se apaixonou pelo seu senhorio e contratador de diamantes da região, João Fernandes de Oliveira, com o qual viveu uma relação amorosa em Arraial do Tijuco, atual Diamantina, nas Minas Gerais. Seu casamento, contudo, nunca pôde ser oficializado, pois as leis racistas da época não permitiam a união entre um branco e uma negra. Vivendo em concubinato, Chica da Silva e João Fernandes tiveram treze filhos e do companheiro ela herdou toda a fortuna.

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