O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, estão entre os líderes mundiais convidados pelo mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, para o “Conselho da Paz” na Faixa de Gaza. Mais cedo, neste sábado, 17, o republicano nomeou seu secretário de Estado, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores.
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Em publicação nas redes sociais, Milei agradeceu o convite, dizendo que seria “uma honra”.
“A Argentina sempre estará do lado dos países que lutam de frente contra o terrorismo, que defendem a vida e a propriedade, e que promovem a paz e a liberdade. É uma honra para nós acompanhá-los em tão grande responsabilidade”, disse o argentino.
GRACIAS PRESIDENTE TRUMP @realDonaldTrump@POTUS
Es un honor para mí haber recibido esta noche la invitación para que la Argentina integre, como Miembro Fundador, el Board of Peace, una organización creada por el Presidente Trump para promover una paz duradera en regiones… pic.twitter.com/ORalzkzhlv
— Javier Milei (@JMilei) January 17, 2026
O presidente da Turquia também foi convidado a ser membro fundador do conselho, afirmou Burhanettin Duran, chefe do gabinete de comunicação de Erdogan. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também será convidado, tendo aceitado o convite, segundo um membro do governo do Canadá ouvido pela Bloomberg.
A lista de nomes também inclui, entre os sete integrantes do “conselho executivo fundador”, o enviado especial presidencial Steve Witkoff, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e Jared Kushner, genro do presidente americano. Os outros integrantes do conselho são o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional. Já o presidente americano vai presidir o órgão.
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Segundo a Casa Branca, o Conselho da Paz vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
“Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas, conforme delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta saudita-francesa, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Esse órgão recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva à população de Gaza e seja propícia à atração de investimentos”, explica.
Será colocado em prática um plano de desenvolvimento de Trump para “reconstruir e energizar Gaza” através da “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Oriente Médio”, enquanto “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.
A criação do órgão segue o anúncio, nesta semana, do início da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro do ano passado. No X, antigo Twitter, Witkoff, assessor de Trump para o Oriente Médio, advertiu que os EUA esperam que “o Hamas cumpra integralmente suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém falecido” e que “não cumprimento acarretará sérias consequências”. A nova etapa prevê o desarmamento do grupo palestino radical e o começo da reconstrução do enclave.
O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, também informou que “chegou-se a um consenso sobre os membros” do comitê tecnocrático palestino de 15 pessoas que governará temporariamente a Faixa de Gaza. A formação do grupo faz parte do plano de 20 pontos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que abre caminho para o Estado da Palestina — uma ideia rejeitada por Israel.
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O comitê, responsável por administrar diariamente os serviços públicos e os municípios para o povo de Gaza, será supervisionado pelo Conselho da Paz e liderado pelo ex-vice-ministro palestino Ali Shaath. A coordenação entre o Conselho da Paz e o comitê tecnocrático será feita pelo diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária e enviado da ONU para o Iraque, antes de ser designado como enviado da paz para o Oriente Médio entre 2015 e 2020.
Embora um cessar-fogo avançado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde 10 de outubro, a situação em Gaza segue delicada, com Israel e Hamas se acusando mutuamente de ferir os termos do acordo. Autoridades de saúde vinculadas à administração do enclave afirmam que ataques israelenses já mataram mais de 400 palestinos desde o início da trégua, enquanto Tel Aviv defende que qualquer ação militar ocorreu em resposta a violações.
Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), órgão apoiado pela ONU, apontou no final de dezembro que 100 mil pessoas ainda enfrentam o mais alto nível de fome — Fase 5 na escala da IPC — e vivem em “condições catastróficas” na Faixa de Gaza. O documento reconheceu que o aumento do fluxo de ajuda humanitária após o início do cessar-fogo entre Israel e Hamas, em outubro, possibilitou um maior abastecimento de alimentos, mas advertiu que a crise humanitária não foi aplacada no enclave palestino.
O rastro de escombros é 12 vezes maior do que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. De cada 10 edifícios que antes existiam em Gaza, oito foram danificados ou arrasados. Encurralada, restou à população de Gaza tentar fugir dos bombardeios. Mais de 1,9 milhão de pessoas, ou 90% do enclave, foram deslocadas, de acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Em Israel, em comparação, cerca de 100.000 pessoas tiveram de deixar suas casas.