A apreensão de mais um petroleiro venezuelano no Mar do Caribe por forças dos Estados Unidos trouxe a Venezuela de volta ao centro do noticiário internacional. No programa Mercado, apresentado por Veruska Donato, os desdobramentos da ofensiva americana sobre o setor de petróleo do país e os movimentos políticos em Washington e Caracas foram analisados pelo economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, e por Marcus Labarthe, da GT Capital (este texto é um resumo do vídeo acima).
A operação militar interceptou o navio Veronica, com tropas desembarcando de helicópteros na embarcação. A ação faz parte da estratégia do governo americano para impedir que o petróleo venezuelano seja comercializado sem autorização dos Estados Unidos, reforçando a pressão econômica sobre Caracas.
O que sinaliza a apreensão de petroleiros no Caribe?
Para além do impacto imediato, a apreensão do navio foi interpretada como mais um indicativo de que Washington pretende manter controle rígido sobre os fluxos de petróleo da Venezuela. A medida ocorre em um contexto de negociações ainda pouco claras sobre o futuro político do país e sobre a eventual abertura a investidores estrangeiros.
Qual o peso do encontro entre Trump e Maria Corina Machado?
No mesmo contexto, Veruska Donato destacou o encontro reservado, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado. O almoço durou cerca de uma hora e não teve imagens divulgadas, mas Trump publicou posteriormente uma mensagem afirmando ter sido uma honra conhecê-la, elogiando sua trajetória e mencionando o prêmio Nobel da Paz recebido por ela, que lhe foi entregue simbolicamente como gesto de agradecimento.
Questionada pela imprensa, a porta-voz da Casa Branca afirmou que não houve tentativa de convencimento direto para a realização de eleições na Venezuela durante o encontro, reforçando o caráter reservado da conversa.
Por que o governo venezuelano voltou a falar em reforma do petróleo?
Enquanto isso, em Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez apresentou à Assembleia Nacional um projeto de reforma do setor petrolífero. Em discurso no Legislativo, ela pediu união entre governo e parlamentares para aprovar mudanças que facilitem investimentos e ajudem a reativar a principal indústria do país, hoje com infraestrutura defasada.
A reforma é suficiente para atrair investidores?
Na avaliação de Labarthe, a reforma é necessária, mas ainda insuficiente para garantir uma retomada consistente. Segundo ele, a economia venezuelana sofre há décadas com incentivos fracos, especialmente no setor de petróleo, e o país ainda está no início de um processo difícil de compreender. “A gente ainda não sabe muito bem como a Venezuela vai evoluir nesse novo contexto, se vai ter eleição ou não”, afirmou.
O risco compensa o retorno para empresas estrangeiras?
Labarthe destacou que, do ponto de vista do empresário, a equação risco-retorno pesa contra a Venezuela neste momento. Mesmo com mudanças políticas parciais, o risco permanece elevado, e os investimentos exigidos são de longo prazo. Estimativas mencionadas no programa apontam para a necessidade de até 120 bilhões de dólares para reestruturar a indústria petrolífera venezuelana.
Por que os EUA hesitam em voltar com força ao país?
O analista lembrou que, apenas em 2025, toda a indústria americana de petróleo investiu cerca de 50 bilhões de dólares, valor bem inferior ao necessário na Venezuela. Com outras opções mais seguras e rentáveis no mercado global, as empresas tendem a esperar garantias legais e estabilidade antes de retornar ao país, evitando repetir prejuízos do passado após a estatização do setor.
No encerramento do debate, a avaliação foi de que uma maior aproximação com os Estados Unidos poderia ser positiva para a Venezuela, mas apenas se houver previsibilidade institucional e continuidade das regras. Até lá, a reforma do petróleo aparece mais como um sinal de intenção do que como garantia de uma retomada econômica imediata.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.