Se entre as mulheres surgiram várias tendências de cabelo no Globo de Ouro 2026, para os homens bastou um para chamar a atenção e virar assunto. Trata-se do polêmico mullet, corte que atravessou séculos entre glórias e controvérsias, e agora reapareceu no evento em uma versão repaginada, menos caricata e muito mais afinada com a estética atual. Nada daquele bloco rígido e geométrico dos anos 1980. O que se viu foi um mullet diluído, orgânico, integrado ao restante do cabelo, quase como se estivesse ali por acaso — só que não.
Um dos exemplos mais comentados foi o do ator Connor Storrie, de “Heated Rivalry”, que apostou em um corte com franja curta e cachos soltos, em que o comprimento na nuca surge de forma natural, sem marcar território. Já Jacob Elordi, conhecido por testar limites estéticos com certa ousadia, levou ao evento uma leitura mais explícita: fios lisos, repicados, com ar desalinhado e comprimento bem definido atrás, numa referência direta — porém atualizada — ao mullet clássico.
Joe Keery, o eterno Steve Harrington de “Stranger Things”, também segue nessa onda, mas com outra proposta: mais volume no topo e nas laterais, cabelo loiro encorpado e uma construção que conversa com o rock setentista. Mais discreto, Nick Jonas também optou pelo mullet, mas em versão mais aparada, mas não menos moderna.
Vale dizer que o retorno do mullet não é apenas uma decisão estética ou de styling. É quase um gesto cultural já que poucos cortes masculinos carregam uma biografia tão extensa. Muito antes de virar símbolo pop, o visual já aparecia entre guerreiros gregos e romanos, que mantinham a frente curta para enxergar melhor nos combates e o comprimento atrás como proteção. Os vikings também eram adeptos do formato, reforçando a aura combativa que o acompanha até hoje.
Nos tempos modernos, o corte ressurgiu com força na década de 1970, impulsionado por figuras que também travavam batalhas — estéticas, políticas e comportamentais. Caso de David Bowie, em sua fase Ziggy Stardust, talvez o maior ícone dessa virada: seu mullet ruivo, afiado e teatral rompeu fronteiras de gênero e ajudou a transformar o cabelo em manifesto. Ao lado dele, nomes como Iggy Pop e Patti Smith consolidaram o corte como símbolo da contracultura, em diálogo direto com o punk e com a revolução estética promovida por Vivienne Westwood.
Depois, veio o mainstream — e com ele, os excessos. O mullet passou pelo rock de estádio, pelo cinema, pela TV e pelo esporte. Do quarterback Joe Namath aos gramados do futebol brasileiro com Ricardo Rocha, o corte ganhou fama, mas também desgaste. Virou piada, estigma, exagero.
Mas é justamente desse lugar que ele retorna agora: mais consciente e bem menos literal. O mullet de 2026 não quer chocar, mas sim dialogar com novas propostas e se moldar ao estilo pessoal de quem usa. Pode ser suave, quase imperceptível, ou assumido, mas sempre com leveza, movimento e intenção.
No Globo de Ouro, ficou claro que o mullet deixou de ser um revival irônico para se tornar uma escolha genuína de moda. Um corte que atravessou guerras, palcos, décadas e preconceitos, e que hoje reaparece como símbolo de liberdade estética. Polêmico? Sempre. Datado? Não mais.
Veja os looks:



