O Bola Quadrada, programa de análise esportiva de VEJA, dedicou parte de sua edição mais recente ao momento crítico vivido pelo São Paulo. Para Amauri Segalla e Fábio Altman, o clube atravessa o período mais delicado de sua história, marcado por denúncias na diretoria, instabilidade política e um cenário esportivo que coloca o time sob risco real no Campeonato Paulista (este texto é um resumo do vídeo acima).
A discussão começou com a avaliação do pedido do técnico Hernán Crespo por reforços. Segundo os comentaristas, o treinador já sinalizou a necessidade de ao menos cinco contratações e deixou claro que não pretende depositar a responsabilidade de “salvar” a equipe nos ídolos que retornaram ao clube. Para Segalla, porém, a demanda esbarra em um contexto de desorganização profunda.
A pior crise da história do São Paulo?
Segalla foi categórico ao afirmar que o São Paulo vive a situação mais dramática de sua trajetória. Ele citou denúncias de corrupção envolvendo dirigentes e classificou como “estranhíssima” a explicação apresentada pela defesa do presidente do clube sobre depósitos em dinheiro vivo. Para o editor, o episódio simboliza um ambiente contaminado, que afasta jogadores e agrava a crise de credibilidade.
O editor-executivo afirmou ainda que, apesar do cenário, “os dirigentes passam e a torcida fica”, mas alertou que o preço pode ser alto. Na sua avaliação, o São Paulo é, sim, candidato ao rebaixamento no Paulistão, campeonato que classificou como “traiçoeiro” em seu formato atual.
O Paulistão virou ameaça real?
O início do estadual foi apontado como um fator de risco adicional. O São Paulo estreou fora de casa contra o Mirassol e, segundo Segalla, enfrentará uma tabela mais dura do que a dos rivais, com jogos fora contra Corinthians e Palmeiras, além do clássico com o Santos. Para ele, a probabilidade de queda não é desprezível e pode servir como choque para interromper práticas nocivas dentro do clube.
Altman concordou que o novo modelo do Paulistão tornou o torneio mais curto e perigoso para os grandes, reduzindo a margem de recuperação. O campeonato, que antes funcionava como período de ajuste para a temporada, passou a exigir resposta imediata — algo que o São Paulo, segundo ele, não tem conseguido entregar.
Falta liderança dentro de campo?
Os comentaristas também analisaram o elenco. Segalla afirmou que o São Paulo carece de jogadores aguerridos, capazes de assumir liderança nos momentos críticos. Para ele, Lucas não exerce esse papel, além de enfrentar recorrentes problemas físicos, enquanto Calleri ainda não está em condições ideais.
Nesse contexto, Crespo ganha tempo, mas sem garantias. Segalla duvidou que o clube consiga realizar o número de contratações desejado, diante de salários atrasados, indefinição sobre a presidência e a possibilidade de um processo de impeachment. “Quem vai querer jogar num time assim?”, questionou.
Um clube sem alma?
Altman avaliou que o São Paulo vive há anos em um limbo: sem ambição clara e sem colapsar de vez, sustentando-se em resultados pontuais. Para ele, a diretoria se refugiou no discurso das dívidas para justificar a falta de ação, transformando o time em uma equipe “sem alma” e sem identidade.
Nesse cenário, a ausência de Muricy Ramalho foi destacada como simbólica. Coordenador de futebol e figura histórica do clube, Muricy pediu licença e se afastou sem maiores explicações públicas. Para os comentaristas, o silêncio de alguém tão identificado com o São Paulo reforça a sensação de abandono institucional.
Só resta a torcida?
Ao final, o Bola Quadrada concluiu que o São Paulo enfrenta uma combinação perigosa de crise política, fragilidade esportiva e desorganização administrativa. Para Segalla e Altman, enquanto as disputas internas não forem resolvidas e a governança não for reestruturada, qualquer tentativa de recuperação em campo tende a ser insuficiente.
No momento, afirmaram, o que resta ao clube é a paciência da torcida — e a urgência de interromper um processo que ameaça empurrar o São Paulo a um patamar inédito e indesejado no futebol paulista.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Bola Quadrada (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.