O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer opção que não seja o controle total de Washington sobre a Groenlândia é “inaceitável”. A declaração foi feita através de uma publicação na rede Truth Social nesta quarta-feira, 14, horas antes de uma reunião entre autoridades americanas, dinamarquesas e groenlandesas, em meio ao acirramento da retórica do republicano sobre tomada da ilha.
“A OTAN se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos que isso é inaceitável”, disse o mandatário.
Em seu post, Trump reforça a visão de que os Estados Unidos precisam da Groenlândia para “fins de segurança nacional”, declarando que o território ártico é vital para a construção de seu Domo de Ouro, um ambicioso escudo antimísseis que deverá estar operacional antes de 2029. O mandatário ainda acrescentou que, caso Washington não obtenha sucesso em sua iniciativa, “a Rússia ou a China o farão”.
As afirmações de Trump ocorrem horas antes de um encontro entre o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rúbio com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia. Recentemente, líderes de ambos os territórios afirmaram que a ilha não está à venda.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou na terça-feira, 13, que enfrenta uma “pressão inaceitável” do seu “aliado mais próximo por uma geração”, em referência às ameaças de Trump. Em coletiva em seu gabinete em Copenhague ao lado do premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, ela advertiu que “há muitas evidências de que a parte mais difícil ainda está por vir”.
Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total. A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como os partidos políticos, afirma não querer estar sob o controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump.
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O insistente interesse do presidente americano no território ártico governado pela Dinamarca vem gerando insatisfação em lideranças europeias. Recentemente, Copenhague alertou que uma ação militar contra a Groenlândia significaria o fim da Otan, a organização transatlântica que funciona como um pilar ocidental desde a Guerra Fria.
Em 6 de janeiro, líderes de sete países da Otan emitiram uma declaração conjunta reforçando a importância do respeito à soberania da região. Para Trump, no entanto, a Otan deveria “liderar o processo” de obtenção da ilha por Washington, afirmando que a aliança “não seria uma força ou dissuasão eficaz” sem o “vasto poder dos Estados Unidos”.
Momentos após a publicação inicial, Trump seguiu falando sobre a Dinamarca em seu perfil na Truth Social. O presidente americano compartilhou uma matéria do portal Just the News afirmando que a inteligência dinamarquesa alertou sobre o interesse de Moscou e Pequim na Groenlândia.
“Diga à Dinamarca para tirá-los daqui, agora! Dois trenós puxados por cães não vão resolver. Só os Estados Unidos podem!”, disparou o mandatário.