A convulsão sofrida por Henri Castelli durante a prova do líder do BBB 26, na manhã desta terça-feira, 14, pode estar associada a uma combinação de fatores. Ouvido pela coluna GENTE, o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola explica o que pode ter provocado o episódio e alerta para os riscos envolvidos.
“Provas de longa duração podem desencadear convulsões por fatores metabólicos e ambientais bem estabelecidos. Os mais frequentes são desidratação, hiponatremia associada ao exercício (queda de sódio pelo suor ou ingestão excessiva de água), hipoglicemia, hipertermia severa e heat stroke. Esses quadros geram disfunção cerebral aguda e podem resultar em ‘crises sintomáticas agudas’, segundo a classificação da ILAE (Liga Internacional contra Epilepsia)”, começou o médico.
De acordo com o especialista, crises desse tipo não estão, necessariamente, ligadas à epilepsia. “Convulsões associadas ao esforço físico tendem a ocorrer durante ou logo após a atividade e costumam vir acompanhadas de sinais como desidratação, câimbras, vômitos, fadiga térmica, confusão mental, sede intensa ou ingestão exagerada de água. Já crises epilépticas podem surgir em repouso e apresentam maior tendência à recorrência, sem gatilhos metabólicos evidentes”, afirma Espíndola.
O médico também lista possíveis sinais de alerta que podem anteceder uma convulsão em situações de exaustão extrema. “Tontura, cefaleia, náusea, câimbras musculares, irritabilidade, confusão, visão turva e sede intensa são indícios comuns, geralmente relacionados à desidratação, hiponatremia, hipoglicemia ou sobrecarga térmica. Em casos de epilepsia, alguns pacientes podem apresentar auras sensoriais, como déjà-vu ou alterações olfativas e visuais, o que não costuma ocorrer em crises induzidas por esforço”, detalha.
No momento da crise, participantes que seguiam na prova alertaram a produção e chegaram a sugerir medidas como segurar a língua do ator — conduta que, segundo o especialista, é incorreta. “Não se deve tentar imobilizar a pessoa, pois isso aumenta o risco de fraturas e traumas articulares, nem colocar objetos ou dedos na boca, já que isso não impede mordedura da língua e pode causar lesões, aspiração ou sufocamento. Também não se deve oferecer água, alimentos ou medicamentos durante a crise”, orienta.
A conduta adequada, de acordo com o neurocirurgião, inclui proteger a cabeça, afastar objetos que possam causar ferimentos e, ao final da convulsão, posicionar a pessoa de lado para manter as vias aéreas desobstruídas. “O serviço de emergência deve ser acionado quando a crise durar mais de cinco minutos, houver repetição sem recuperação, trauma associado ou dúvida diagnóstica”, diz.
Após a crise, o ator foi atendido pela equipe médica e, segundo a TV Globo, está consciente. A prova de resistência foi interrompida, e Castelli ficará sob observação. Segundo o neurocirurgião, a possibilidade de retorno à competição depende da origem da convulsão. “Em crises provocadas por hiponatremia, hipoglicemia ou hipertermia, é indispensável a correção completa do distúrbio e uma avaliação médica criteriosa para estimar o risco de recorrência. Já quando há suspeita de epilepsia não provocada, o retorno só deve ser considerado após investigação neurológica, incluindo exames de imagem. Não existe um prazo universal seguro. A decisão precisa ser individualizada, de acordo com o contexto clínico”, conclui.