Somente um em cada cinco americanos apoia os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para adquirir a Groenlândia. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 14, em uma pesquisa produzida pela Reuters/Ipsos. O levantamento ouviu mais de 1.200 adultos entre 12 e 13 de janeiro e registrou uma preocupação generalizada com as ambições da Casa Branca sobre o território ártico pertencente à Dinamarca.
A pesquisa mostra ainda que 47% dos entrevistados desaprovam as ações dos EUA para obter o controle do território. Em relação a uma possível ação militar na ilha, a rejeição é ainda maior, com 71% negando ser uma boa ideia, enquanto somente 4% demonstram apoio à ideia. Embora pareça distante, uma opção militar não foi descartada por uma administração que vê a Groenlândia como necessária para a manutenção de seus interesses globais.
Em relação à divisão partidária, o atual presidente conta com apoio de 4 em cada 6 republicanos em seus esforços para adquirir o território ártico, mas somente 8% deles acham que uma invasão militar é uma boa ideia. Os entrevistados democratas demonstraram uma clara resistência às medidas de Trump, com somente 2% aprovando os esforços e 1% vendo com bons olhos uma ação militar.
Rica em recursos minerais e localizada em uma posição estratégica entre o norte do Oceano Atlântico e o Ártico, a Groenlândia é vista como um território vital para a administração Trump. Desde que retornou à Casa Branca, o mandatário tem intensificado seus discursos a respeito da tomada de controle do território autônomo dinamarquês.
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Trump enxerga o movimento como uma forma de evitar que rivais como China ou Rússia ocupem a ilha no futuro. Autoridades americanas têm discutido diferentes formas de concretizar esse desejo, incluindo o pagamento de quantias fixas aos moradores para convencê-los a se separar da Dinamarca.
As declarações do mandatário foram vistas como simples bravatas por muito tempo, mas a recente ação americana na Venezuela mudou tudo. Com a captura de Nicolás Maduro e Trump afirmando que irá “governar” o país sul-americano, muitas lideranças europeias se mostram receosas de que a Groenlândia seja o próximo alvo de Washington.
Em resposta, Copenhague alertou que uma ação militar contra a Groenlândia significaria o fim da Otan, a organização transatlântica que funciona como um pilar ocidental desde a Guerra Fria. Cerca de 66% dos entrevistados pela Reuters/Ipsos afirmaram estar preocupados com um possível abalo da aliança, incluindo 91% dos democratas e 40% dos republicanos.
Nesta quarta, o vice-presidente americano JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, devem se reunir com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia para discutir a situação. O encontro ocorre um dia após o primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielsen afirmar que a ilha “escolheu” permanecer parte do território dinamarquês.