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Mais de 60% dos latino-americanos aprovam operação dos EUA na Venezuela, diz pesquisa

Enquanto apenas um terço dos americanos disse aprovar a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que levou à captura do ditador deposto Nicolás Maduro, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 14, revelou que a América Latina pensa diferente. De acordo com levantamento AtlasIntel, 60,1% dos latino-americanos vê a ação positivamente, enquanto 34,9% desaprovam. Outros 5% não souberam opinar.

Os dados revelam o rechaço na região ao regime de Maduro, que 63,6% dos latino-americanos disseram que deveria ser preso e a quem 73,2% atribuem a culpa pela crise humanitária no país, motivo da migração de mais de 8 milhões de pessoas. Na América Latina, 74,2% das pessoas acredita que a Venezuela está melhor, agora, sem ele.

A aprovação da ação americana é maior na região do Caribe, bem como no Peru, Equador, Bolívia e Colômbia — para onde muitos venezuelanos se deslocaram ao fugir da ditadura e da crise econômica. No Brasil, 58% disseram ver com bons olhos a intervenção que levou à captura do autocrata, enquanto 41% desaprovam a medida — o país mais polarizado sobre o tema na região.

Segundo a pesquisa, os brasileiros também registram o mais alto nível de discordância sobre o posicionamento de seu governo: 57% rejeitam a postura da administração de Luiz Inácio Lula da Silva (42% concordam, outro indício de polarização elevada). Para 55% dos brasileiros, o petista não está comprometido com o compromisso de trazer liberdade à Venezuela, ao passo que 32% aprovam seus esforços.

Dentro da Venezuela, quase metade da população (46,7%) deu respaldo à prisão de Maduro por meio da intervenção americana, por acusações relacionadas ao narcotráfico. Entre a diáspora, o número chega a impressionantes 90,8%, segundo a AtlasIntel. Porcentagens muito semelhantes deles afirmaram crer que o autocrata deveria, sim, ser preso pelos Estados Unidos. Enquanto isso, apenas 18% dos venezuelanos sustentam que vivem em uma democracia e só 12% acreditam que seu país estaria melhor com Maduro no poder.

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O grupo dos venezuelanos que dizem não saber opinar sobre o tema e aqueles que desaprovam da operação dos Estados Unidos estão quase empatados (27,9% e 25,4%, respectivamente). Em entrevista a VEJA sobre um levantamento anterior a respeito da crise na Venezuela, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o alto índice de respostas “não sei” está relacionado ao medo — tanto do futuro após a intervenção quanto do próprio regime chavista, que continua de pé apesar da queda de seu líder e apertou a repressão por se sentir ameaçado.

“Lá, o elemento da repressão faz com que as pessoas tenham medo de responder”, disse ele.

Os venezuelanos estão mais divididos — também, possivelmente, por medo de responder — em relação à postura de seu governo interino, chefiado pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, diante da intervenção dos Estados Unidos. A maior parcela dos entrevistados (40%) respondeu “não sei”, enquanto “concordo” e “discordo” representam 30% da população cada.

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Visão clara na América Latina

A maioria dos latino-americanos (54,9%) acredita que a ação, que viu bombardeios sobre Caracas no dia 3 de janeiro e capturou Maduro antes que ele e a esposa pudessem se refugiar em um bunker, vai contribuir para o restabelecimento da democracia na Venezuela. Outros 29,2% dizem que não vai, enquanto 8,3% insistem que o governo venezuelano é democrático (são a absoluta minoria: 78,6% da América Latina vê o país como uma ditadura).

A maior parcela (57,5%) também acredita que as acusações relacionadas a narcotráfico contra Maduro, sua esposa Cilia Flores e outras figuras do regime são justificadas — 26,5% diz que não, pois as alegações são inventadas, enquanto 16% não sabe.

Há menos apoio às declarações do presidente Donald Trump indicando que os interesses comerciais dos Estados Unidos na Venezuela, nominalmente o acesso às vastas reservas de petróleo do país, são um objetivo primordial da operação militar. Enquanto 51,5% afirmam não se incomodar com isso, porque investimentos americanos também podem gerar benefícios para Caracas, 41,6% dizem que as declarações devem ser condenadas porque “visam a exploração sem escrúpulos da Venezuela e seu povo”.

A clareza nas respostas também diminui quando o tema são as denúncias contra Washington de violação do direito internacional. De um lado, 45,4% dos latino-americanos afirmam que não houve desrespeito à soberania venezuelana, porque a afirmação da soberania do país “passa em primeiro lugar pela derrubada do regime ditatorial que usurpou o poder”. Do outro, 37,8% dizem que qualquer violação da soberania, a qualquer país, deve ser condenada. Só 11,7% dos entrevistados disseram com todas as letras que “a soberania não foi violada”, ao passo que 5,1% não souberam responder.

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