O Irã indicou que vai atacar bases militares americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos intervenham no país, informou a agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 14. Um alto funcionário iraniano ouvido pela reportagem afirmou que Teerã enviou um alerta a nações vizinhas que abrigam soldados americanos, em meio a uma onda de protestos que as forças iranianas reprimem com força letal — situação que, segundo o presidente Donald Trump, pode justificar uma ação de Washington lá.
Trump repetidamente ameaçou intervir no Irã em apoio a manifestantes, que saem às ruas desde 28 de dezembro em movimento inflamado pela crise inflacionária no país, mas agora inclui diversas outras insatisfações. Grupos de direitos humanos afirmam que até 2.600 pessoas foram mortas na repressão dos atos, que representam a maior ameaça ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979, e um homem ligado aos protestos teve sua execução marcada para esta quarta.
Três diplomatas americanos disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar Al Udeid, no Catar, a principal base aérea dos Estados Unidos na região, até esta noite. Porém, não há sinais, por ora, de uma retirada em larga escala dos soldados, como ocorreu antes de um ataque com mísseis iranianos no ano passado — uma retaliação aos bombardeios de Washington contra instalações nucleares do Irã. Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura”, e não uma “evacuação ordenada”.
A embaixada americana no Catar não se pronunciou.
Os Estados Unidos mantêm forças por toda a região, incluindo o quartel-general avançado do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha, no Bahrein.
Ação militar
Autoridades israelenses ouvidas pela Reuters afirmaram que o presidente americano já decidiu pela intervenção. Não se sabe, no entanto, qual será o alcance ou o timing da operação. Um oficial iraniano, por sua vez, relatou à agência que os contatos diretos entre o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, foram suspensos. Além disso, ele informou que Teerã pediu a aliados dos Estados Unidos na região, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes e Turquia, para “impedirem Washington de atacar”.
Em entrevista à emissora CBS News na terça-feira, Trump prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes. “Se eles os enforcarem, vocês verão algumas coisas”, disse o presidente. Antes, ele também foi às redes para pedir que os iranianos continuassem protestando e orientou que “tomem as instituições” nacionais, declarando que “a ajuda está a caminho”. Uma autoridade iraniana, uma figura importante que falou sob condição de anonimato, disse que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que “impedissem Washington de atacar o Irã”.