A inflação ao consumidor nos Estados Unidos era o dado mais aguardado desta terça-feira pelos mercados. A taxa subiu 0,2% em dezembro e fechou 2025 em 2,6% abaixo das previsões de 0,3% e 2,7%. Para os investidores a leitura reforça o processo de desinflação em curso e mantém viva a discussão sobre um corte de juros pelo Federal Reserve no terceiro trimestre do ano.
Segundo Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, apesar de o mercado ainda apostar majoritariamente na manutenção da taxa na próxima reunião, o dado de inflação mais comportado começa a reabrir espaço para a volta dos cortes. O Fed já havia sinalizado um corte adicional este ano, mas agora parte dos investidores trabalha com a possibilidade de dois cortes à frente, cenário que tende a favorecer os ativos de risco.
O quadro ganhou ainda mais força com os dados de emprego gerado nos EUA e abaixo do esperado, indicando arrefecimento no mercado de trabalho — justamente o outro pilar observado pelo banco central. Inflação em desaceleração e emprego menos aquecido reforçam a tese de juros mais baixos adiante. Esse contexto, avalia Moliterno, aumenta a pressão política do presidente Donald Trump sobre o Fed e coloca Jerome Powell diante de um desafio extra: justificar tecnicamente qualquer decisão para evitar a leitura de interferência política — num jogo em que, no fim das contas, quem ganha ou perde é a economia.