A China prometeu nesta terça-feira, 13, adotar “todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos” em retaliação ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que aplicará novas tarifas aos países que comercializarem com o Irã. Nas últimas semanas, enormes protestos antigovernamentais contra os custos de vida atingiram o Irã. Em resposta, o governo local tem reprimido brutalmente as manifestações, com milhares de mortos, e cortou a internet em várias regiões.
“A posição da China contra a imposição indiscriminada de tarifas é consistente e clara. Guerras tarifárias e guerras comerciais não têm vencedores, e coerção e pressão não resolvem problemas. O protecionismo prejudica os interesses de todas as partes”, escreveu Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, no X, antigo Twitter.
“A China se opõe firmemente a quaisquer sanções unilaterais ilícitas e jurisdição extraterritorial, e tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”, acrescentando.
Na segunda-feira 12, Trump afirmou que “qualquer país que fizer negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América”, com “efeito imediato”. A China é o maior parceiro comercial de Teerã, sendo responsável por 77% de suas exportações de petróleo em 2024, de acordo com a empresa de dados Kpler. Pequim, contudo, reduziu as importações iranianas nos últimos anos pelo risco das sanções americanas mirarem negócios chineses.
O líder americano também analisa várias opções militares. Espera-se que a equipe de segurança nacional de Trump se reúna na Casa Branca ainda nesta terça para discutir quais caminhos adotar. Entre as alternativas, estão atacar o quartel-general da polícia iraniana com mísseis de cruzeiro e cometer assassinatos seletivos, segundo o jornal britânico The Guardian.
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Mais de 140 países ameaçados
China e EUA concordaram com uma trégua na guerra comercial de um ano em outubro do ano passado, após meses de tarifas exorbitantes aplicadas um contra o outro. No momento, Pequim enfrenta uma taxa de 45% para a maioria dos produtos. Não está claro se a nova decisão de Trump será adicional às tarifas “recíprocas” aplicadas por Washington a uma série de países.
Até o anúncio de Trump, as sanções dos EUA visavam empresas que negociavam com o Irã e usavam o dólar em suas transações. Agora, as tarifas de 25% abrangem todos os países que comercializarem com o regime iraniano, em uma escalada das tensões entre os dois países. Uma medida similar foi proposta pelo presidente americano em março do ano passado para a Venezuela, mas nunca foi aplicada. No sábado 3, uma operação dos EUA capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Eles responderão a acusações de “narcoterrorismo”.
Mais de 140 países negociam com o Irã, incluindo o Brasil, mostram dados do Banco Mundial. Algumas nações assumem protagonismo: Índia, Emirados Árabes Unidos, Japão e Coreia do Sul têm relações comerciais intensas com o Irã. Em contrapartida, pressionados pelo tarifaço de Trump, o Japão e a Coreia do Sul selaram recentemente acordos de livre comércio com os EUA, concordando com uma taxa base de 15%. A ameaça de Trump, então, periga em iniciar uma crise tarifária global.