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Aviso aos repressores: Trump está seriamente inclinado a interferir no Irã

Os comandantes americanos pediram a Donald Trump tempo para consolidar forças — se fizeram tudo em etapas bem planejadas na Venezuela, imaginem no Irã, onde os elementos envolvidos são muito mais importantes. Mas o presidente americano já decidiu que haverá uma intervenção em favor dos manifestantes que estão sendo trucidados nas ruas, segundo disseram fontes do jornal Jerusalem Post. A tarifa de 25% sobre produtos de países que comerciam com o Irã, incluindo o Brasil, é apenas uma espécie de elemento adicional de pressão, mas são pouquíssimas as chances de que os chefões do regime iraniano cedam sem uma ação militar.

O interesse da imprensa israelense nos gigantescos acontecimentos deve ser levado muito a sério, considerando-se que o país é existencialmente afetado por tudo o que acontece no Irã, precisando agir com cautela redobrada para não dar argumentos ao regime teocrático para acusar os manifestantes de serem manipulados pela “entidade sionista” ou “territórios ocupados”, como Israel é chamado por seu maior e mais poderoso inimigo.

Mas a velocidade com que os acontecimentos estão se desenvolvendo pode mudar tudo. Por exemplo: no começo das manifestações, havia o brado “nem xá nem mulás” — ou seja, não queriam saber de uma restauração do antigo regime de monarquia absolutista caso os mulás, como são chamados os clérigos muçulmanos, fossem derrubados.

Agora, surgem manifestações de apoio ao herdeiro do xá, Reza Pahlavi, que parecia uma figura sem nenhuma relevância, tendo vivido mais de cinquenta anos no exílio, cultivado apenas por saudosistas da monarquia. Em abril de 2023, o príncipe herdeiro visitou Israel, num gesto que o excluiria totalmente do jogo no Irã, pois o coloca na condição de alto traidor. Agora, tudo está se precipitando e, entre manifestações de exilados na Europa, a antiga bandeira monarquista, com um leão com uma espada nos dentes e um sol por trás, aparece misturada com a estrela de Davi.

GRANDE PODER DE REPRESSÃO

É simplesmente estarrecedor. Pensem, só como um exercício de imaginação política, no que seria um Irã com boas relações com Israel. O arco xiita, já gravemente afetado pela perda da Síria, simplesmente ruiria, levando junto o Hezbollah libanês. O Hamas sunita perderia a fonte de financiamento. Em troca, um Irã amistoso teria mais forças para promover, junto aos Estados Unidos e Israel, um entendimento na direção de um Estado Palestino pacífico.

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Por enquanto, o regime resiste, apesar dos dois principais sinais de alerta explicados pelo analista político britânico Michael Clarke. Segundo ele, em qualquer lugar do mundo as condições de mudança de regime por levante popular estão dadas quando os protestos se disseminam para além da capital e edifícios governamentais são incendiados.

Ambos os fatores aconteceram no Irã, mas o poder de repressão do regime continua grande, principalmente dos Guardiões da Revolução Islâmica, o organismo altamente doutrinado criado não apenas para preservar os aiatolás no poder, mas também vigiar forças policiais e militares, evitando que saiam da linha e mudem de lado.

Sem algum tipo de adesão ou pelo menos cooperação dos que controlam as armas, os manifestantes podem acabar exauridos, já tendo sofrido mais de 600 mortes.

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Podem também, é claro, ser incentivados por uma ajuda de forma ainda desconhecida de Trump. No começo dos protestos, circularam apelos ao presidente americano, pedindo “não deixe que nos matem”. Isso pode ter falado ao coração de Trump — e também a possibilidade de que dois dos maiores inimigos dos Estados Unidos, os regimes da Venezuela e do Irã, caiam num ano que mal começou.

Não deixará de ser notado que ambos dispõem de enormes recursos petrolíferos, um ponto sobre o qual Trump não faz nenhuma questão de disfarçar.

BATALHA INFORMACIONAL

Seria também uma sequência de golpes sucessivos e humilhantes para Vladimir Putin: em menos de duas semanas, ele perdeu o companheirão Maduro, teve um petroleiro tomado por comandos americanos e está vendo um dos principais aliados, o Irã, com quem tem um tratado de cooperação militar, sob risco de afundar.

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O papel de cospe-fogo no Irã atualmente está sendo desempenhado pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, que chamou a repressão aos manifestantes de “guerra ao terrorismo” e prometeu uma “lição inesquecível” a Trump se interferir de alguma maneira em favor dos reprimidos.

Note-se que ele tem mais gogó do que poder real e nem sequer se qualifica para ver comandos americanos chovendo em sua horta.

O que Trump vai fazer ainda não se sabe, mas provavelmente será diferente do que aconteceu na Venezuela. Já está decidido, segundo o Jerusalem Post. Medidas como as sanções secundárias são apenas um instrumento a mais, embora com um aspecto importante: o presidente americano não poderá cancelá-las se não tiver um argumento forte, como uma mudança significativa na repressão aos protestos, para mostrar que tiveram resultados. O jornal também publicou declarações de um ex-chefe da inteligência militar israelense, Tamir Hayman, dizendo que os americanos já estão agindo com uma campanha no campo de batalha informacional, tão importante quanto todos os outros.

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“Eles querem negociar”, espetou Trump. “Mas talvez tenhamos que agir antes, por causa do que está acontecendo”.

Trump é um presidente que fala exatamente o que pretende fazer, mesmo sem detalhar os métodos, e os que não levam isso em conta, como Maduro, que dançou até o fim, estão agindo contra os próprios interesses. O aiatolá Ali Khamenei — “Morte ao ditador”, clamam manifestantes iranianos — pode não estar disposto a nenhuma concessão. Tem 86 anos e se consideraria um mártir, protagonista de uma morte honrosa, se o regime caísse ou os Estados Unidos o atacassem pessoalmente. A questão, no momento, são os outros.

Estão todos prontos para o martírio?

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