O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 12, que qualquer país que fizer negócios com o Irã enfrentará uma tarifa de 25% “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América”. A medida entrará em vigor “imediatamente”, anunciou o republicano em publicação nas redes sociais.
“Esta ordem é final e definitiva”, disse, sem dar mais detalhes. A Casa Branca ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.
Apesar da falta dos pormenores, o anúncio pode impactar o comércio do Irã com o Brasil. Em 2024, exportações brasileiras ao Irã ultrapassaram US$ 3 bilhões, consolidando o país como o quinto maior destino de vendas brasileiras na região, sobretudo no setor agropecuário, segundo dados do governo brasileiro. O número foi maior, por exemplo, que exportações no mesmo período destinadas a França, Uruguai e Rússia.
Só de soja brasileira, os iranianos compraram mais de US$ 1,6 bilhão.
A imposição de tarifas segue o aumento de pressão de Trump sobre líderes do Irã, renovando ameaças sobre uma possível ação militar em resposta à violência contra manifestantes que tomam as ruas desde 28 de dezembro devido a uma crise inflacionária aguda. Ao menos 648 pessoas já morreram, segundo balanço da organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega.
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Na semana passada, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou manifestantes de agirem em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-os de vandalismo e lançando ameaças. Segundo ele, “mercenários a serviço de estrangeiros” não seriam tolerados. Suas declarações vieram depois do líder americano ameaçar intervir em Teerã em prol dos participantes dos atos, que têm sido reprimidos com força letal das forças de segurança iranianas.
Khamenei também afirmou que as mãos de Trump “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios contra o país no ano passado, e previu que o líder americano “arrogante” seria “derrubado”, assim como a dinastia imperial que governou o Irã até a revolução islâmica de 1979.
Trump disse no domingo que autoridades americanas podem se reunir com diplomatas iranianos e que ele está em contato com a oposição.
Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo está aberto a negociações, mas também “está pronto para a guerra”.
“A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela”, disse ele durante discurso a embaixadores estrangeiros em Teerã, alertando os adversários contra qualquer “erro de cálculo”.
“Também estamos prontos para negociações, mas essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”, enfatizou. Anteriormente, ele havia sugerido que os protestos se tornaram violentos — embora a maioria dos manifestantes seja pacífica — para dar aos Estados Unidos uma “desculpa” para intervir na nação.
No sábado 10, Trump publicou em sua rede, a Truth Social, uma mensagem direcionada à República Islâmica do Irã, onde a população há duas semanas vem realizando protestos contra o regime dos aiatolás. O presidente disse que os iranianos “procuram a liberdade” como nunca antes. “Os Estados Unidos estão prontos para ajudar”, escreveu o presidente. Após postar a mensagem, não fez mais nenhum comentário a respeito e nem deu explicações de como poderia ser essa ajuda.
Questionado no domingo 11 por repórteres se o Irã havia ultrapassado uma “linha vermelha” com a repressão, Trump disse, a bordo do Air Force One: “Parece que estão começando a fazer isso”.
As ameaças de Trump vieram menos de uma semana após os Estados Unidos interferirem na política externa de outra ditadura. No dia 3 de janeiro, forças americanas invadiram o território da Venezuela e capturaram Nicolás Maduro em um bunker dentro de uma unidade militar em Caracas. A operação deixou um saldo de 100 mortos, pelo menos 30 deles militares cubanos que cuidavam da segurança pessoal do presidente venezuelano.