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‘Ninguém dita o que fazemos’, diz presidente de Cuba sobre exigências de Trump

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou as exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que um acordo seja estabelecido entre os países. As declarações foram feitas em uma publicação na rede social X no último domingo, 11.

Trump exige que um acerto entre Washington e Havana seja firmado “antes que seja tarde demais”, subindo o tom contra a nação caribenha após promover operações que levaram à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos”, afirmou Diaz-Canel. “Cuba não ataca; tem sido atacada pelos EUA durante 66 anos, e não ameaça; prepara-se, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”. 

Administrada por um regime socialista desde 1961, Cuba recebe ajuda da Venezuela em forma de remessas de petróleo e dinheiro. No entanto, a prisão de Maduro e o anúncio de que Caracas entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo para Washington pode representar um desafio econômico no horizonte de Havana.

“Não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba. Zero!”, disse Trump em uma publicação feita em sua rede, Truth Social, no domingo. “Cuba viveu, por muitos anos, de grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela. Em troca, Cuba forneceu ‘serviços de segurança’ para os dois últimos ditadores venezuelanos, mas não mais”, disparou o presidente americano, dizendo ‘sugerir fortemente’ que um acordo seja feito, ‘antes que seja tarde’.

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As acusações haviam sido rejeitadas por Havana anteriormente, com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmando que o país tem o “direito absoluto” de importar combustível de parceiros econômicos sem qualquer interferência dos Estados Unidos. Rodríguez também rejeitou a afirmação de que Cuba trocava serviços de segurança por petróleo e dinheiro.

O momento de tensão entre os países surge na esteira da captura de Maduro por forças militares americanas, na qual, segundo Havana, 32 cubanos foram mortos em “ações de combate”. Para Rodríguez, os movimentos recentes de Washington ameaçam a paz e a segurança “não só de Cuba e deste hemisfério, mas do mundo inteiro”.

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+ ‘Não haverá mais petróleo ou dinheiro venezuelano para Cuba’, diz Trump

Díaz-Canel rejeitou qualquer interferência externa nos assuntos cubanos, afirmando que “eles não têm autoridade moral para apontar o dedo para Cuba em absolutamente nada”, em uma clara referência aos Estados Unidos. O presidente cubano ainda disse que “aqueles que hoje expressam sua raiva histérica contra nossa nação o fazem por indignação com a decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”.

Em declaração a repórteres a bordo do Air Force One no domingo, Donald Trump disse que Washington tem conversas em andamento com Havana. Apesar de não ter esclarecido em qual patamar se encontravam as negociações, Trump afirmou ter interesse em abordar o tema das “pessoas que vieram de Cuba e foram forçadas a sair ou partiram sob coação”.

No entanto, Díaz-Canel negou qualquer conversa com a Casa Branca nesta segunda-feira, 12, “exceto por contatos técnicos na área de migração”. O mandatário ainda afirmou que, para que as relações entre EUA e Cuba avancem, é necessário se basear no direito internacional ao invés de “hostilidade, ameaças e coerção econômica”.

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